O Estado mexicano foi considerado culpado de graves violações dos direitos humanos duas vezes, em dezembro de 2025, pela Corte Interamericana de Direitos Humanos. As sentenças deste tribunal internacional, fundado em 1979, vinculam os Estados da Organização dos Estados Americanos (OEA), tendo reconhecido a sua jurisdição, o que é o caso do México desde 1998. A Corte decidiu sobre dois casos entre os mais emblemáticos da violência vivida pelo México desde o início do século: o dos militares e o contra as mulheres.
Em 16 de dezembro, a Corte se pronunciou sobre o caso de Ernestina Ascencio Rosario, uma mulher indígena náuatle de 73 anos, falecida em 2007 na Sierra Zongolica (estado de Veracruz), onde havia sido montado um acampamento militar, no âmbito da “guerra ao narcotráfico” lançada, sem qualquer preparação, pelo presidente Felipe Calderón quando chegou ao poder em 2006. A corte confirmou que Ernestina Ascencio Rosario havia sido efetivamente estuprada e torturada por soldados, como havia contado aos filhos antes de morrer. Mas na época, Felipe Calderón encobriu os soldados e atribuiu sua morte a um “gastrite crônica”. A Comissão Nacional de Direitos Humanos e o Ministério Público mexicano concluíram a mesma causa de morte e encerraram o caso.
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