Benoît Payan junta-se à maré de marselheses que correm, sábado, 7 de março, para os bons negócios na grande liquidação no centro da cidade. A Rue Paradis, uma rua movimentada repleta de boutiques chiques, está fechada para carros, e a multidão aprecia esta iniciativa municipal. “É ótimo, não é? Meus adversários não estão preparados para o que pretendo fazer neste segundo mandato”desliza o prefeito (vários à esquerda) de Marselha.
Algumas saudações, olhares amigáveis… O escolhido, 48 anos, terno azul com gola alta, tênis bordô, para a cada pedido, reserva um tempo para ouvir quem o questiona. O volumoso bouquet de ranúnculos rosa e branco decorado com ramos de eucalipto, que acaba de adquirir no Porto Velho, atrai elogios e aperfeiçoa o seu look descontraído.
Na corrida pela sua reeleição, Benoît Payan, candidato do Printemps Marseille, mostra um otimismo cauteloso, com as últimas pesquisas prevendo a sua ampla união à esquerda num duelo acirrado com o candidato do Rally Nacional (RN), Franck Allisio. “Imagine uma cidade como a nossa mudando para o RN? Um ano antes da eleição presidencial? Que mensagem para o país…”pergunta Benoît Payan, incrédulo.
A campanha municipal na segunda cidade de França sempre constituiu uma questão nacional. Mas, desta vez, também parece prenunciar o que espera o país em 2027. Uma característica ainda mais acentuada pela reforma do método de votação em Paris, Lyon e Marselha. “Ao dividir a votação por setor e para a Câmara Municipal, presidencializamos esta eleição municipal. O resultado é uma forte personalização em torno dos cabeças de lista, em detrimento dos programas”observa o ex-deputado ambientalista Sergio Coronado, companheiro de chapa do candidato La France insoumise (LFI), Sébastien Delogu.
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