Várias centenas de manifestantes bloquearam a fábrica da BASF em Saint-Aubin-lès-Elbeuf, perto de Rouen, na manhã de segunda-feira para denunciar a produção de pesticidas e a libertação de poluentes eternos no ambiente, notou um jornalista da AFP.
Os manifestantes afirmavam ser cerca de 500 agricultores e cidadãos. “Os primeiros afetados são os camponeses e trabalhadores agrícolas deste sistema agroquímico”, declarou Thomas Gibert da Confédération paysanne, um sindicato agrícola que co-organiza o bloqueio.
Um jornalista da AFP confirmou a presença de várias centenas de manifestantes, a maioria deles com macacões brancos e brandindo cartazes como “Empresa multinacional de câncer BASF”, “Pesticidas matam e poluem” ou “Exportador de veneno BASF”.
Eles foram supervisionados por uma grande força policial.
Chegando por volta das 7h45 da manhã de segunda-feira, pelo menos quinze ativistas conseguiram entrar no recinto da fábrica depois de romper a cerca, enquanto sete tratores e pilhas de terra impediram a passagem de seis veículos pesados de mercadorias bloqueados em frente à entrada, segundo a AFP.
“Foram constatadas invasões, danos a equipamentos, comportamentos que poderiam colocar em risco a segurança do local e atitudes intimidadoras para com o pessoal”, denunciou a direção da BASF França.
Com a intervenção da polícia, “a acção foi rapidamente contida (…) As pessoas envolvidas foram detidas”, afirmou o grupo, anunciando a intenção de apresentar queixa.

Em janeiro, diversas associações denunciaram o impacto do local no meio ambiente. Afirmaram que esta fábrica detinha o “recorde francês, de longe, de descargas de TFA no Sena”, um eterno poluente da família PFAS.
A fábrica “cumpre os regulamentos”, garante a BASF, afirmando que um plano permitiu “uma redução de 85% nas emissões de TFA” desde Janeiro.
Várias organizações, a Confederação Camponesa, o Colectivo de Apoio às Vítimas dos Pesticidas Ocidentais (CSVPO), o Cancer Colère, os Reapers Voluntários e as Revoltas da Terra, descreveram esta operação como uma “inspecção de stocks para recuperar provas adicionais do fabrico e armazenamento de pesticidas proibidos, em particular à base de Fipronil”, num comunicado de imprensa.
“Esta fábrica produz a grande maioria dos pesticidas proibidos na Europa para exportação para a América do Sul, é totalmente ilegítima”, disse Gibert, denunciando a procura de lucros em detrimento do bem comum e a “indecência” das empresas que, segundo ele, “também beneficiarão de acordos de livre comércio como o tratado do Mercosul”.
Os PFAS e os pesticidas representam um “grande problema de saúde pública”, denunciam os manifestantes, citando em particular o aumento de “cancros pediátricos, doenças neurodegenerativas e distúrbios hormonais”.