O estado de excepção fez com que a criminalidade caísse para mínimos históricos em El Salvador, mas os opositores denunciam detenções arbitrárias, tortura na prisão e violações dos direitos humanos.
Muitos manifestantes reuniram-se em San Salvador no domingo para protestar contra o estado de exceção estabelecido em 2022 pelo presidente Nayib Bukele, que permite prisões sem mandado como parte da sua cruzada contra gangues. Mais de 90 mil pessoas foram presas e apenas cerca de 8 mil delas foram libertadas após serem consideradas inocentes, segundo fontes oficiais.
O estado de excepção fez com que a criminalidade caísse para mínimos históricos em El Salvador, mas os opositores denunciam detenções arbitrárias e actos de tortura na prisão, todos eles violações dos direitos humanos, segundo eles.
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Declarar o estado de exceção “inconstitucional”
“Exigimos o fim do estado de exceção e exigimos também o respeito pelas garantias constitucionais“, disse à AFP Sonia Urrutia, porta-voz do Bloco de Resistência e Rebelião Popular, um grupo de opositores ao poder. Vários grupos de ativistas participaram da manifestação, incluindo o Movimento de Vítimas do Regime (Movir), que apelou ao sistema de justiça salvadorenho para declarar”inconstitucional» o estado de exceção.
De acordo com o grupo de direitos humanos Socorro Jurídico Humanitario, 470 salvadorenhos morreram na prisão desde que a medida foi introduzida por Nayib Bukele. O protesto nas ruas do centro de San Salvador teve como objetivo, em parte, comemorar a assinatura dos acordos de paz em janeiro de 1992, que pôs fim a décadas de guerra civil no pequeno país centro-americano.