É nas areias de Koufra que se desenrola parte da guerra civil no Sudão. Localidade saariana no sudeste da Líbia, famosa por seu papel na Segunda Guerra Mundial, Kufra é um centro estratégico localizado a 180 quilômetros do Egito e a 350 quilômetros do Sudão. Nada que afete estes dois vizinhos o poupa e vice-versa.
Portanto, não é surpreendente que, quando a guerra civil eclodiu no Sudão, em 15 de Abril de 2023, a agitação tenha tomado conta da cidade. Ali observam-se movimentos inusitados: comboios armados partem em direção ao posto fronteiriço de Aïn Kaziyet, no sopé de Jebel Uweinat, uma área montanhosa isolada nas fronteiras do Egito, da Líbia e do Norte do Sudão, vítima de convulsões.
Uma milícia local de Koufra ajuda as unidades das Forças de Apoio Rápido (FSR) do general sudanês Mohammed Hamdan Daglo, conhecido como “Hemetti”, que acaba de se voltar contra o seu antigo aliado, o presidente Abdel Fattah Abdelrahman Al-Bourhane. O detalhe é preocupante, porque esta zona do sudeste da Líbia é controlada pelo marechal Khalifa Haftar, comandante supremo do Exército Nacional Líbio (LNA), a força hegemónica na Cirenaica e no Fezzan, a leste e a sul da Líbia, que funciona como autoridade paralela ao governo de Trípoli, a oeste. Teria o marechal, portanto, tomado partido no conflito fratricida sudanês?
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