Associações feministas apelam a futuros presidentes de câmara para trabalharem em prol de cidades feministas
“Cidades feministas são possíveis” : desde a nomeação de um representante eleito até às escolhas orçamentais, as câmaras municipais têm inúmeras alavancas para melhorar a igualdade de género, sublinham as associações a poucos dias das eleições autárquicas.
“As cidades há muito são feitas por e para homens”estima Sandra Lhote Fernandes, responsável pela defesa de direitos da Oxfam França, da Agence France-Presse (AFP). “Estamos vendo desenvolvimentos, mas ainda há progresso a ser feito”.
Paris, Lyon e Bordéus estão a analisar os seus orçamentos municipais para ver se beneficiam tanto as mulheres como os homens, Ris-Orangis (Essonne) criou um estatuto que oferece vantagens às famílias monoparentais, Villeurbanne (Rhône) revalorizou as profissões de cuidados altamente feminizadas… A Oxfam França dissecou as práticas dos municípios franceses a favor da igualdade entre os sexos e identificou cerca de uma centena de exemplos num relatório.
Entre as recomendações da ONG: nomear para o conselho municipal “um funcionário eleito de alto escalão” responsável por este tema, “quem poderá influenciar as escolhas”. Primeira infância, transportes, planeamento urbano, ação social, cultura, desporto: os municípios podem atuar em muitas áreas para reforçar a igualdade de género. Por exemplo, criando creches, instalando casas de banho públicas ou formando polícias municipais para lidar com vítimas de violência.
“As cidades têm uma alavancagem muito importante”confirma Gaëlle d’Albenas, porta-voz do Dare to Feminism!, que publica um manifesto com recomendações aos candidatos. “Apelamos a que façam da igualdade uma política estruturante do seu mandato, a fim de organizar concretamente a vida das mulheres para uma maior autonomia e emancipação”.
Quanto aos candidatos, vários posicionam-se sobre o assunto, como a presidente cessante de Nantes, Johanna Rolland (PS), que promete “levar o género em consideração em todas as ações da cidade”. Em Estrasburgo, a prefeita Jeanne Barseghian (Les Ecologistes), candidata à reeleição, quer alcançar “uma cidade feminista”tal como os candidatos François Piquemal (LFI) e François Briançon (PS) em Toulouse.
O tema é frequentemente veiculado pela esquerda, mas também por municípios centristas ou de direita. Em Angers, por exemplo, o prefeito Christophe Béchu (Horizontes), que busca um novo mandato, apoia a criação de um Museu do Feminismo.