
“Gostaria de dedicar este César à França, porque quando era jovem ator pude ter uma formação gratuita chamada Conservatório de Arte Dramática, então obrigado França.” Estas foram as palavras de Laurent Lafitte, coroado melhor ator por seu papel em A mulher mais rica do mundo por Thierry Klifa. Chateado, com a voz trêmula, o ator não conseguiu conter a emoção diante de tamanha consagração. E se sabemos que ele é capaz de fazer um humor excêntrico nas telonas, na vida real, Laurent Lafitte cultiva muitos mistérios.
“Não tenho corpo no armário”
Há cerca de dez anos, quando a sua carreira cinematográfica começou a ganhar impulso graças a filmes como Os pequenos lenços Ou Papai ou mamãeLaurent Lafitte tomou uma decisão radical: sair das redes sociais. Indo na contramão da época, o ator nunca vacilou em sua escolha. E por um bom motivo: ele prefere ser comentado apenas por seus papéis. “Quando um ator começa a falar sobre sua vida pessoal ou sobre suas opiniões políticas, isso cria um distanciamento com os papéis que interpretará posteriormente. Quanto mais sabemos sobre ele, menos podemos projetá-lo em seus personagens”, considerou em entrevista ao QG. Segundo Laurent Lafitte, sua vida pessoal “não interessa a ninguém”. É até um não-assunto: “Quanto mais eu falar de mim, menos conseguirei fazer as pessoas acreditarem nos meus personagens. Então não é uma questão de intimidade, mas de uma reflexão puramente pragmática para proteger meu trabalho.
Laurent Lafitte, um adolescente “obcecado” por cinema
No entanto, Laurent Lafitte já se mostrou, no passado, um pouco mais flexível no assunto. Tal como em 2015, quando confidenciou nas páginas do Marie-Claire estar em um relacionamento, especificando: “Também tenho amigas com quem mantenho conversas mais íntimas”. Ou em 2017, em Revista Psicologiasquando declarou: “Ter filho, penso cada vez mais nisso”. É preciso dizer que Laurent Lafitte não mediu esforços para realizar seu sonho de se tornar ator. Quando adolescente, sua paixão o levou até a rejeitar a escola. “Quando fui ao cinema, desenvolvi instantaneamente uma espécie de fobia escolar. Quando saí de casa, sentei-me na escada e chorei. Não queria ir para a escola”, revelou nas páginas de Gala. Mas Laurent Lafitte sempre pôde contar com o apoio sólido e modesto dos pais, ainda que estes, trabalhando no ramo imobiliário, tivessem grande dificuldade em compreender o mundo opaco do cinema: “É uma grande prova de amor e de inteligência, tive muita sorte. Eles sabiam que eu era obcecado por cinema. Eu ia lá o tempo todo (…) Como eu era bastante engenhoso, eles sabiam que eu faria outra coisa se não desse certo.”