Uma campanha de observação aérea de cem dias começa quarta-feira na Polinésia Francesa para identificar grandes espécies marinhas com mais de 850.000 km2, anunciou o Observatório Pelagis (CNRS/Universidade de La Rochelle).

O programa REMMOA II (Censo de mamíferos marinhos e outra megafauna pelágica por observação aérea) irá fornecer um inventário da distribuição e abundância de golfinhos e cachalotes, mas também de aves, tartarugas, raias, tubarões e peixes de grande porte.

Estas grandes criaturas offshore permanecem pouco conhecidas, inclusive pela comunidade científica. Ao observar os estilos de vida, a biologia e o estado de conservação destas espécies, o programa procura também compreender o efeito das variações nos parâmetros ambientais sobre estes animais, particularmente no contexto das alterações climáticas.

“Queremos fornecer dados para orientar as políticas de conservação, a fim de proteger melhor o oceano”, explicou à AFP o Dr. Jérôme Spitz, diretor do observatório Pelagis e pesquisador do CNRS.

As distribuições de determinadas atividades humanas (pesca, tráfego marítimo, resíduos) também serão listadas.

Esta campanha permitirá comparar as suas observações com as realizadas em 2011, no âmbito da REMMOA I. A equipa científica poderá assim completar o inventário das espécies e avaliar as alterações na abundância e distribuição da megafauna marinha. Também será capaz de identificar áreas com maiores desafios de conservação.

“No litoral temos conhecimento, mas em alto mar é mais complicado, e lá poderemos observar grandes áreas em pouco tempo, o que só é possível de avião”, disse à AFP Mathieu Grellier, gestor de projetos do Gabinete Francês para a Biodiversidade, que apoia as políticas ambientais da Polinésia Francesa.

O oceano representa 99% do território polinésio e constitui uma questão importante para a comunidade do Pacífico. A Polinésia Francesa anunciou assim na Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, realizada em Nice, em junho de 2025, a criação da maior área marinha protegida do mundo, com 4,8 milhões de km2, incluindo 900.000 km2 sob proteção rigorosa.

Um fundo liderado pela Polinésia Francesa também foi criado na semana passada. Reúne nove ONG e pretende angariar 15 milhões de dólares (12,5 milhões de euros) para financiar a monitorização destas áreas marinhas protegidas, mas também para promover o conhecimento tradicional, a pesca sustentável ou a soberania alimentar.

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