Uma comédia de aventura amplamente esquecida liderada por Dustin Hoffman, Warren Beatty e Isabelle Adjani, “Ishtar” é um dos maiores fracassos de bilheteria dos anos 80, contribuindo em grande parte para arruinar a carreira de sua diretora, Elaine May…

Fotos de Colômbia

A trágica galáxia de obras que se estilhaçaram diante das portas das bilheterias está infelizmente repleta de exemplos edificantes, apesar das somas às vezes faraônicas injetadas pelos estúdios. E os seus grandes headliners provavelmente atrairão generosamente espectadores aos cinemas.

Vencedor do Oscar de Melhor Ator duas vezes, em 1980 por Kramer vs. Kramer e em 1989 por Rain Man, Dustin Hoffman é um ator lendário. Foi durante o final dos anos 60 até o início dos anos 80 que sua carreira atingiu picos: Macadam Cowboy, Little Big Man, Marathon Man, The Straw Dogs de Sam Peckinpah, Papillon, Lenny de Bob Fosse, Tootsie…

Pouco antes de triunfar com Rain Man, o ator estará no topo do cartaz num filme que foi um dos maiores fracassos da década, uma comédia de aventura largamente esquecida desde: Ishtar, em 1987.

Como é? Para isso…

No papel, porém, os planetas pareciam alinhados. O filme foi dirigido por Elaine May, indicada ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado pelo clássico Heaven Can Wait, em 1979, com Warren Beatty. O ator contracenou com Hoffman em Ishtar, também apoiado pela nossa nacional Isabelle Adjani, que era a atual parceira de Beatty na época.

Produzido com um orçamento muito substancial de US$ 51 milhões, que hoje corresponderia a mais de US$ 145 milhões ajustados pela inflação, o filme arrecadou apenas humilhantes US$ 12,7 milhões de bilheteria mundial, custando ao seu estúdio, Columbia, aproximadamente US$ 40 milhões.

A história? É a de dois cantores e compositores que sonham em ser os novos Simon e Garfunkel; só que estão longe de ter talento… Acabam por aceitar um compromisso num hotel em Marrocos e vão ver-se envolvidos contra a sua vontade numa operação da CIA no país (imaginário) de Ishtar.

Fotos de Colômbia

Rodado em Marrocos em 1985, num contexto político muito difícil no Magrebe, e em Nova Iorque, com a contribuição do renomado diretor de fotografia Vittorio Storaro (ninguém menos que o diretor de fotografia favorito de Bernardo Bertolucci e Apocalypse Now de Coppola), o filme atraiu a atenção da mídia antes mesmo de seu lançamento devido a significativos estouros de custos que se somaram a um orçamento já colossal, e rumores de conflitos entre a diretora Elaine May, Beatty e Storaro, contada neste fascinante artigo publicado em Feira da Vaidade em 2010. Uma mudança na gestão do estúdio Columbia Pictures durante a pós-produção também gerou distúrbios que prejudicaram o lançamento do filme.

O fracasso foi devastador para Warren Beatty, que produziu (e, portanto, interpretou) o filme, e irá confundir para sempre sua amizade com a diretora Elaine May, com quem ele teve excelentes relações em sua colaboração anterior, Heaven Can Wait.

Ishtar contribuiu fortemente para arruinar a carreira do jovem diretor. Depois desse filme, ela só voltou a dirigir uma vez; neste caso, para um documentário sobre Mike Nichols. No entanto, ela escreveu os roteiros do remake americano de La Cage aux Folles, bem como de Primary Colors, pelo qual ganhou sua segunda indicação ao Oscar.

Quer descobrir esse filme? Ainda pode ser encontrado em edição em DVD, que data de mais de vinte anos.

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