Um tribunal holandês profere na quarta-feira a sua sentença num processo pioneiro que opõe os Países Baixos a uma das suas ilhas, a de Bonaire, nas Caraíbas, que considera que Haia deve fazer mais para

Os residentes deste pequeno território ao largo da costa da Venezuela juntaram-se à Greenpeace numa acção legal contra o Estado holandês, exigindo medidas concretas para os proteger da subida do nível do mar.

A decisão, proferida por um tribunal de Haia, é vista como um verdadeiro teste à justiça climática.

Em Julho, o Tribunal Internacional de Justiça (CIJ) decidiu, num parecer consultivo, que os Estados que não respeitassem as suas obrigações climáticas estavam a cometer um acto ilegal.

O caso Bonaire “poderia criar um precedente de importância global” porque representa o primeiro grande caso desde este parecer, acredita o Greenpeace.

A Holanda, cujo território está localizado abaixo do nível do mar, é historicamente pioneira em termos de diques e barragens voltadas para ela.

Os demandantes dizem que Haia não oferece a mesma proteção aos seus territórios ultramarinos, como Bonaire.

Exigem um plano de protecção para esta ilha até Abril de 2027 e querem que os Países Baixos reduzam as suas emissões de CO2 a zero até 2040 e não até 2050 acordado a nível da UE.

Segundo estes activistas, que se apoiam num estudo da Universidade Livre de Amesterdão, o mar poderá engolir, até ao final do século, até um quinto da superfície de Bonaire, uma antiga colónia dos Países Baixos nas Antilhas Holandesas, que se tornou um município com cerca de 27.000 habitantes.

Haia afirma que cabe às autoridades locais implementar medidas.

– “Intolerável” –

“As alterações climáticas não são uma ameaça distante para nós”, disse Onnie Emerenciana, residente na ilha, durante audiências no ano passado.

“Onde costumávamos trabalhar, brincar, passear ou pescar durante o dia, o calor agora é muitas vezes insuportável”, acrescentou o agricultor.

As ações judiciais relacionadas com o clima estão a tornar-se cada vez mais comuns em todo o mundo, a maioria visando governos.

Os demandantes argumentam regularmente que um número relativamente pequeno de poluidores é a principal causa das mudanças climáticas e dos eventos climáticos extremos relacionados e do aumento do nível do mar.

O parecer do Tribunal Internacional de Justiça, solicitado pelas Nações Unidas, visava clarificar o direito internacional sobre as alterações climáticas.

Vista como uma vitória dos ambientalistas, estipula que os poluidores poderão ser obrigados a pagar reparações aos países que sofrem com os danos climáticos.

“O local de nascimento não deveria importar: todos têm direito à proteção contra inundações, tempestades e ondas de calor extremas”, enfatiza Marieke Vellekoop, diretora do Greenpeace Holanda.

O caso Bonaire representará, portanto, “a primeira decisão europeia em termos de adaptação aos territórios ultramarinos”, nota a ONG, que quer acreditar em “grandes consequências jurídicas à escala global”.

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