Um juiz federal suspendeu na segunda-feira a revisão da política de vacinas americana iniciada pelo ministro da Saúde de Donald Trump, o cético em relação às vacinas, Robert Kennedy Jr, de acordo com uma decisão consultada pela AFP.

Acreditando que o governo norte-americano “desconsiderou” os métodos de base científica normalmente utilizados para justificar tais decisões, este juiz de Massachusetts, um estado do nordeste dos Estados Unidos, bloqueou, pelo menos temporariamente, várias alterações feitas no ano passado pela administração Trump às recomendações e calendários de vacinação.

Esta suspensão é um duro golpe na revisão da política de vacinação promovida pelo ministro da Saúde e fortemente criticada por vários médicos.

Questionado pela AFP, um porta-voz do Departamento de Saúde americano disse que aguardava “com impaciência que a decisão deste juiz fosse anulada”.

Esta última seguiu-se a uma denúncia apresentada em julho passado por várias associações de saúde, incluindo a Academia Americana de Pediatria (AAP) e a Sociedade Americana de Doenças Infecciosas (IDSA), que acusou o ministro, conhecido pelas suas posições de longa data contra as vacinas, de ter infringido a lei ao alterar unilateralmente as recomendações de vacinas sobre a Covid-19.

Em maio de 2025, Robert Kennedy Jr anunciou em suas redes sociais que as autoridades federais não recomendariam mais vacinas contra a Covid-19 para crianças e gestantes.

– Especialistas demitidos –

As organizações denunciaram também a demissão por RFK Jr de todos os especialistas de um eminente grupo responsável pela emissão de recomendações de vacinas nos Estados Unidos conhecido como ACIP e a sua substituição por personalidades muitas das quais foram contestadas pela sua falta de conhecimentos ou pela transmissão de informações falsas sobre vacinas.

Na sua decisão, o juiz observa que dos actuais “quinze membros” da comissão “apenas seis parecem ter experiência significativa no domínio das vacinas”, embora este seja o cerne da sua missão.

Desde a sua nomeação, estes últimos abalaram de facto as recomendações de vacinação americanas, nomeadamente ao deixarem de recomendar a vacina contra a hepatite B a todos os recém-nascidos e ao alterarem as recomendações de vacinação sobre a Covid-19 e o sarampo, ainda contra os conselhos de muitos cuidadores.

Tantas decisões suspensas até segunda ordem do juiz.

A comissão, que também deveria reunir-se ainda esta semana para emitir novas recomendações, também viu as suas atividades suspensas.

– “Vitória para a saúde pública” –

Para Jason Goldman, do American College of Physicians, esta decisão constitui uma “vitória para a saúde pública e reafirma que a política nacional de vacinação deve basear-se em ciência rigorosa e baseada em evidências, e não em considerações políticas”.

“O consenso científico e as montanhas de dados mostram que as vacinas são seguras e eficazes”, lembrou num comunicado de imprensa.

O Ministro Robert Kennedy Jr tem questionado regularmente a segurança das vacinas desde que assumiu o cargo e iniciou uma profunda revisão da política de vacinas, mas também das agências de saúde americanas, com grandes despedimentos e cortes orçamentais massivos.

Ele “semeou confusão e desconfiança desnecessárias em torno das recomendações de vacinação”, criticou Ronald Nahass, presidente da Sociedade Americana de Doenças Infecciosas, saudando este revés imposto à administração Trump.

O governo americano deveria, no entanto, recorrer desta decisão, o que deverá abrir caminho para um longo drama jurídico.

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