Descubra por que o conselho de censura francês quis proibir um dos filmes de Jean Gabin lançado no início dos anos 1960.
Este filme com Jean Gabin, ainda um dos seus mais cult, nunca poderia ter sido lançado por causa da censura. Mas qual foi o problema de Um Macaco no Inverno, onde o herói de Pépé le Moko contracenou com Jean-Paul Belmondo diante da câmera de Henri Verneuil?
A Monkey in Winter narra o encontro alcoólico e humano entre Albert Quentin (Gabin) e Gabriel Fouquet (Bébel). O primeiro abafa o fracasso da sua vida amorosa e o segundo aproveita-o para relembrar a sua juventude como marinheiro nos mares da China.
Ministério da Saúde pede censura
UFA – Comacício
É 15 de abril de 1962, um mês antes de seu lançamento, a comissão de censura anuncia recusar seu vistocondição sine qua non para distribuição nos cinemas. Mas por que?
Não contém violência intensificada, poucos insultos, não contém sexo, mas, segundo a comissão, glorificaria o álcool e promoveria o alcoolismo. É inegável que os dois protagonistas se entregam a libações de alto nível, e o representante do então Ministro da Saúde, Raymond Marcellin, não vê isso com bons olhos, até porque marcas de bebidas aparecem claramente na tela (parte da ação que acontece em um bistrô).
Ainda proibido para menores de 18 anos
UFA – Comacício
O realizador e os produtores contestam então a decisão, argumentando que não é a substância do filme, que se centra mais na questão da passagem do tempo, do que queremos fazer com o tempo que resta e no encontro de dois homens à deriva. Os detalhes dos debates não são conhecidos, mas Um Macaco no Inverno escapou por pouco da censura completa, obteve seu visto de distribuição, mas foi lançado com uma classificação proibindo-o para menores de 18 anos.
Em 11 de maio de 1962, Um Macaco no Inverno foi transmitido nos cinemas franceses e totalizou 2,1 milhões de entradas. Como costuma acontecer, o filme é carregado pela polêmica ligada ao seu possível banimento, pelo primeiro encontro de Jean-Paul Belmondo (então herói da New Wave) com o “chefe” do cinema pré-guerra, Jean Gabin e pelos vôos líricos de Michel Audiard nos diálogos.
Tornou-se, ao longo das retransmissões, um dos clássicos do cinema francês.
O abuso de álcool é perigoso para a saúde. Consumir com moderação.
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