Primeira astronauta francesa instrutora da Agência Espacial Europeia (ESA), Laura André-Boyet faz questão de tirar das sombras as “profissões satélites” que, como a dela, tornam possível a aventura “louca” “de enviar pessoas para trabalhar no espaço”.
Aos 43 anos, este engenheiro especializado em fisiologia e medicina e também reservista da Força Aérea, participa nomeadamente na formação de astronautas que irão integrar a Estação Espacial Internacional (ISS), como Thomas Pesquet ou Sophie Adenot.
Estes estudantes astronautas recebem primeiro, durante quase um ano, «uma formação teórica, onde garantimos que todos têm o mesmo conjunto de conhecimentos (…) Depois, depois de validados este primeiro ano, grosso modo, entrarão na formação», explica.
Esta formação, que não tem duração fixa, inclui nomeadamente uma parte especializada “especialmente focada nos sistemas da estação. São todas as canalizações, electricidade, redes informáticas, máquinas de gestão de situações de emergência” que os astronautas devem conhecer perfeitamente.
A ISS “será o seu veículo, a sua casa, o seu local de trabalho. Eles não poderão parar em Darty ou receber um mecânico. Por isso, têm de saber fazer tudo”, continua André-Boyet.
– Centenas de outras profissões –

A primeira astronauta francesa instrutora na ESA, recentemente já não é a única. Uma segunda francesa juntou-se de facto aos quinze instrutores, a maioria dos quais são mulheres, especifica ela, e uma terceira deverá fazê-lo “em breve”.
Também especializada em ausência de peso, André-Boyet é treinadora a bordo do Airbus A310 zero-G, aeronave capaz de abolir a gravidade.
Voar neste aparelho permite “uma descoberta sensorial da leveza, já ter essa sensação no corpo”. A bordo, os astronautas participam de “diferentes workshops”.
“Por exemplo, vamos fazer uma oficina onde vão usar uma chave de fenda. Dizemos para nós mesmos: +tudo bem, use uma chave de fenda+.
“Todas as nossas capacidades motoras” são influenciadas pela “gravidade terrestre e não nos damos conta disso. Por exemplo, se fecharmos os olhos e tentarmos tocar no nariz (…), na ausência de gravidade, tocaremos noutro lado”, explica, feliz por poder falar do seu trabalho como instrutora, um dos muitos “trabalhos satélite” do de astronauta.
“O espaço – e ainda mais o espaço habitado – é um ambiente onde o colectivo é essencial”, mas “elogiomos este colectivo ao incorporá-lo inevitavelmente através de um herói”.
Contudo, “poderíamos ensinar os nossos filhos (…) a admirar uma indústria, atividades tão malucas como enviar pessoas para trabalhar no espaço, através do que realmente constitui o coletivo”, afirma com convicção o instrutor.
“Portanto, acho ótimo falar sobre meu trabalho e espero que você fale sobre as centenas de outros empregos relacionados aos astronautas”, conclui ela.