
A criação de um registro nacional de câncer, que deverá ajudar a melhor compreendê-los, preveni-los e tratá-los, está agora oficialmente lançada, informaram no dia 29 de dezembro o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional do Câncer (INCa), anunciando uma implantação gradual. O decreto que estabelece as modalidades de implementação deste registo foi publicado na véspera no Diário da República, cerca de seis meses após a aprovação definitiva no Parlamento de uma lei sobre a matéria.
O cadastro nacional, administrado pelo INCa, tem como objetivo “coletar dados sobre todos os casos de câncer no território“, de “a recolha e correspondência, sob pseudónimo, de dados provenientes de múltiplas fontes – registos de cancro, bases de dados nacionais existentes, dados clínicos e biológicos, dados de cuidados e rastreio –“, lembraram o ministério e o Instituto em nota de imprensa.
Sua implementaçãoconstitui um grande avanço na melhoria do conhecimento da epidemiologia dos cancros“, permitindo”produzir e divulgar indicadores confiáveis de incidência e mortalidade, com análises nos níveis nacional, regional e sub-regional, e fortalecer ferramentas para monitorar o estado de saúde das populações“, segundo a mesma fonte.
“Dispor destes dados dá-nos meios para melhor objectivar as realidades, medir as desigualdades sociais e territoriais, avaliar o impacto das acções de prevenção e rastreio e orientar a investigação e as políticas públicas.“, saudou em particular o presidente do Instituto Nacional do Cancro, Dr. Norbert Ifrah, e o diretor-geral, Nicolas Scotté, citado no comunicado de imprensa. A implantação do registo, “uma ação importante da estratégia decenal de combate ao cancro 2021-2030“, vai ser “progressivo“, em conexão com os diversos atores envolvidos na saúde e na tecnologia digital, segundo o ministério e o INCa.
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Extrapolações “cuja confiabilidade é questionável”
Atualmente, cerca de trinta registos gerais não especializados cobrem menos de um quarto da população”,de modo que os dados disponíveis se baseiam em extrapolações cuja fiabilidade é questionável“, segundo o professor François Guilhot, membro da Academia de Medicina, citado num relatório do deputado macronista Michel Lauzzana.
“Faltam dados sobre a população mais vulnerável socialmente e áreas expostas a riscos ambientais“, disse à AFP a Dra. Claire Morgand, diretora de observação e avaliação de ciência de dados do INCa, em junho.
No início de junho, o antigo ministro da Saúde e deputado Aurélien Rousseau (ligado ao PS), revelando na câmara que sofria de cancro, pediu ao governo que completasse este registo.