
Isso não é novidade, dirão os pais de crianças pequenas: quem frequenta creche fica frequentemente doente. Este fenómeno é agora confirmado por uma síntese de trabalhos científicos: esta revisão de estudos, publicada pela Revisões de Microbiologia Clínica, foi realizado por pesquisadores e médicos da University College London, da Universidade de Cambridge, da Universidade Cornell e do Hospital Universitário North Middlesex… todos pais de crianças pequenas!
Cuidado com episódios digestivos ou cutâneos…
“Como pais, ficamos todos impressionados com a frequência com que os nossos nove filhos adoeceram depois de entrarem na creche”sublinha a coautora Lucy van Dorp, pesquisadora em genômica de doenças infecciosas na UCL. Com efeito, uma criança de um ano pode sofrer em média 12 a 15 infecções respiratórias por ano, bem como alguns episódios digestivos ou cutâneos (cerca de dois episódios gastrointestinais e um a dois episódios cutâneos por ano, especifica o estudo).
Esta vulnerabilidade é explicada pela imunidade ainda imatura. A proteção transmitida pela mãe ao nascer diminui ao longo dos meses, tornando os bebês mais suscetíveis a infecções, principalmente na comunidade. Mas esta exposição repetida desempenha um papel fundamental. “É normal que as crianças adoeçam frequentemente porque o seu sistema imunitário nunca encontrou estes micróbios antes. A creche funciona então como um verdadeiro ‘campo de treino’ para a sua imunidade“, explica Leo Swadling, coautor do estudo e pesquisador da UCL.
A vacinação continua essencial
Os investigadores observam que estas crianças adoecem com mais frequência do que aquelas que ficaram em casa até aos cinco anos – mas a tendência depois inverte-se: ao entrarem na escola, são as crianças sem experiência prévia em creche que adoecem com mais frequência. A exposição precoce a infecções na comunidade parece, portanto, conferir protecção duradoura. Por fim, os cientistas salientam que a vacinação continua a ser essencial para prevenir as infeções mais graves, “É por isso que incentivamos os pais a manterem seus filhos atualizados com todas as vacinas disponíveis”comentou o Dr. Swadling.