
Achei que ele era indestrutível, que não poderia envelhecer, que estaria sempre ali, bom e bom. Para me fazer sonhar, para me transportar em aventuras extraordinárias como quando era criança. Infelizmente, três vezes tive que encarar os fatos: os heróis, como os diamantes da canção, não são eternos. Porém, se há dois que desafiaram os anos por tanto tempo, são James Bond e Indiana Jones, já que é deste último que estou falando. É preciso dizer que o agente 007 mudou diversas vezes de intérprete, o que tem o significativo mérito de lhe proporcionar uma juventude quase eterna, sendo Daniel Craig o último titular, enquanto aguarda a sua substituição. Para Indy, é outra questão. Desde 1981 e sua primeira aventura cinematográfica, o herói do famoso chapéu e chicote é interpretado por um único ator, Harrison Ford. Para melhor ou para pior, como em Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristaltransmitido nesta terça-feira, 10 de março de 2026, às 21h10. na M6.
Certamente não sou o único, mas adorei as primeiras aventuras de Indiana Jones, descobertas na tela da televisão familiar! Com em particular Os Caçadores da Arca Perdidaum começo brilhante para a saga, apesar das filmagens terem sido interrompidas por uma grave intoxicação alimentar. A grande aventura, as lendas ancestrais, a ação, o humor, está tudo aí. E o resto, Indiana Jones e o Templo da Perdição ? Muito forte! Com as suas sequências de culto, e felizmente pouco apetitosas, e a sua jovem personagem secundária com a qual era fácil identificar-se. Alguns arrepios também, aos quais foi delicioso sucumbir no limiar da adolescência. Em 1989, Indiana Jones e a Última Cruzada é a primeira parte da franquia que descobri no cinema. A alegria se multiplicou, principalmente com a dupla pai-filho, força motriz do filme. Depois, nada mais, silêncio, ausência.
Por que eu odiei isso? Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal ?
Quase vinte anos (dezenove para ser mais preciso), foi o que tive que esperar para encontrar o herói da minha infância. Foi em 2008 que foi lançada sua quarta aventura, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal. E podemos dizer que me levantei de madrugada para descobrir esta tão esperada nova obra, inspirada mais uma vez numa lenda dos confins da História. Desde então, o cinema se tornou minha profissão, estou no Festival de Cannes e o filme, como todas as produções esperadas da quinzena, está marcado para as 8h30 para a imprensa. O que significa que tenho que estar na sala no máximo às 7h30 para encontrar um lugar decente. Aqui estou, pronto para voltar à infância, para redescobrir o sonho.
Pouco mais de duas horas depois, é tudo sopa de caretas. Eu nunca teria acreditado, mas Spielberg perdeu o encanto. Apesar da intensa preparação para voltar à forma, Harrison Ford, também intérprete de outro personagem cult da minha juventude, Han Solo, começa a aparentar ter a mesma idade. A trama tem pouco interesse, e até a sempre perfeita Cate Blanchett, que aqui interpreta a vilã do filme, uma mulher soviética, ganha muito com isso. É uma pena, especialmente, que a conclusão desta nova missão afunde em uma mistura delirante onde os extraterrestres de Roswell se encontram. As misteriosas cidades de ourotambém uma das minhas séries cult… Um final muito chato, e não sou o único a pensar assim. Um quarto episódio para esquecer, portanto. Resta a nostalgia das partes anteriores, que aos meus olhos continuam igualmente preciosas.