
A desinformação cética em relação ao clima está sendo amplamente amplificada pela inteligência artificial (IA), incentivando a hostilidade em relação aos pesquisadores e à ciência, no período que antecede a COP30 no Brasil, de acordo com um relatório publicado quinta-feira pela coalizão de ONGs Ação Climática Contra a Desinformação (CAAD).
Entre os exemplos mais recentes, um vídeo mostra supostas inundações em Belém, na Amazônia, onde será realizada a cúpula do clima das Nações Unidas, de 10 a 21 de novembro. Um exemplo entre outros de desinformação gerada pela inteligência artificial.
No relatório publicado quinta-feira, o CAAD e o Observatório de Integridade da Informação (OII) alertam para um aumento de 267% na desinformação entre julho e setembro sobre assuntos relacionados com a COP.
Vários vídeos que circulam nas redes sociais enganam o público através de imagens fabricadas ou não relacionadas com a COP, notam as duas organizações.
Um clipe postado em junho no TikTok mostra Belém debaixo d’água. O único problema é que “o jornalista não existe, as pessoas não existem, a enchente não existe e a cidade não existe”, resume o OII. Estas são imagens falsas.
Meses depois, o TikTok ainda não removeu o conteúdo de sua plataforma, apesar de relatos de pesquisadores.
Este exemplo reflete uma tendência crescente observada ao longo de 2025.
Na primavera passada, a AFP investigou, entre outras coisas, um documento atribuído ao Grok 3, a IA do dono da rede social X, Elon Musk. Este documento disponível online rejeita erradamente a credibilidade dos modelos climáticos apresentados pelo IPCC, o grupo de cientistas mandatado pelas Nações Unidas para o clima.
Estas informações falsas também podem levar a campanhas de intimidação dirigidas a cientistas e ativistas, escreve Carlos Milani, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, citado no relatório.
Este ativismo dos cépticos climáticos com grandes golpes de IA ocorre no contexto de uma opinião pública sobretudo favorável à defesa do ambiente, observa o CAAD.
Mas o mundo político e o público em geral hesitam em agir ou subestimam a sua capacidade de ação sob “o efeito da desinformação climática”, avalia a ONG.
Há, no entanto, um vislumbre de esperança na COP30, com a integridade da informação incluída pela primeira vez na agenda oficial, segundo a CAAD: “Estamos finalmente a avançar na direção certa”.