“Não sou ambicioso nem competitivo”Hu Anyan gosta de repetir quando a imprensa chinesa lhe pede que se apresente. Há alguns anos, esse homem franzino trabalhava no turno da noite em um centro logístico em Guangzhou, antes de entregar pacotes nas ruas de Pequim, andando de scooter elétrica. Escritor durante o dia, mas incapaz de viver disso, ele se tornou um desses soldadinhos do comércio eletrônico, esses milhões de entregadores servindo aplicativos chineses de vendas online, pagos pela corrida e à mercê de algoritmos.
Hu Anyan é hoje, aos 46 anos, um autor de sucesso, radicado em Chengdu, na província de Sichuan, tendo publicado três livros incluindo Minha vida como entregador em Pequimem abril de 2023. Sem contar as cópias digitais piratas, fenómeno generalizado na China, o livro vendeu 200 mil exemplares pagos, ganhou um prémio literário, antes de aparecer em inglês, em outubro de 2025, e depois em francês, a 7 de janeiro (caso contrário, 320 páginas, 21,50 euros).
Na China, o livro é um fenômeno cultural. Mídia on-line O papelcom sede em Xangai, parabenizou, no dia 21 de novembro de 2024, o “a capacidade do autor de capturar os momentos comuns da vida”considerando a história sincera e profundamente comovente. Ele elogiou “sua autenticidade crua, a profundidade de seu pensamento e seu valor social”.
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