
Em 28 de janeiro de 1986, às 11h39, horário local, o ônibus espacial Challenger subiu ao céu claro da Flórida. Setenta e três segundos depois, ele se desintegra no ar diante dos olhos de milhões de telespectadores. Os sete astronautas a bordo – seis membros da NASA e Christa McAuliffe, uma professora escolhida para se tornar a primeira professora no espaço – morreram instantaneamente. Naquele dia, a América descobriu subitamente que o espaço, mesmo quando se tornou “rotina”, continuava a ser um território mortal. Quarenta anos depois, o desastre continua a assombrar a memória colectiva e a moldar a conquista do espaço.
Na altura, a explosão não foi imediatamente compreendida pelos espectadores na praia que aplaudiram, acreditando estar a assistir a uma etapa clássica do voo. A mudança aparece de forma assustadora nas imagens de CNNque transmitiu o voo ao vivo em 28 de janeiro de 1986 (veja o vídeo abaixo).
A nave é pulverizada em um inferno de vários milhares de graus
Porém, imagem após imagem, a sequência revela uma mecânica implacável. Aos 59,82 segundos de voo, uma chama apareceu na lateral do booster direito. Intensifica-se, desliza ao longo do booster, chega ao tanque externo. Aos 72,77 segundos, a chama funciona como um maçarico. Aos 72,87 segundos, o tanque explode, liberando mais de 600 toneladas de propelentes (hidrogênio líquido e oxigênio). A nave é pulverizada em um inferno de vários milhares de graus.
Em 2012, um americano chamado Bob Karman revelou imagens da explosão do Challenger que ele mesmo filmou, no aeroporto de Orlando, enquanto voltava de férias com a família na Disney World. Mais uma vez, os espectadores não compreendem imediatamente que estão a testemunhar uma catástrofe…
Um defeito conhecido, subestimado e nunca corrigido a tempo
Então, o que causou tal catástrofe? A análise, realizada meticulosamente pelos engenheiros da NASA, estabeleceu a origem do desastre: a falha de um O-ring da hélice direita, enfraquecido por temperaturas excepcionalmente baixas no momento da decolagem. Um defeito conhecido, subestimado e nunca corrigido a tempo.
Pedaço do ônibus espacial Challenger é encontrado no fundo do Atlântico
Em 2022, mergulhadores que procuravam encontrar os restos de um avião datado da Segunda Guerra Mundial e desaparecido no Triângulo das Bermudas descobriram, no fundo do mar… parte do Challenger! Notavelmente preservado no fundo do Atlântico, o segmento é uma das maiores peças recuperadas do ônibus espacial. Com efeito, após o acidente, foram realizadas extensas operações para encontrar pedaços do foguete, dois dos quais ressurgiram dez anos depois numa praia, após uma tempestade.
Todos os anos, a NASA homenageia as vítimas do Challenger no “Dia da Memória”, ao lado das da Apollo 1 – três astronautas que morreram em um incêndio na plataforma de lançamento em 1967 – e da Columbia, cuja tripulação desapareceu em 1º de fevereiro de 2003 durante a reentrada atmosférica. As cerimônias acontecem no Cemitério Nacional de Arlington, no Centro Espacial Kennedy, mas também em Houston e Huntsville, destaques da aventura espacial americana. Uma memória ainda mais presente porque, quarenta anos após a explosão do Challenger, a NASA se prepara para lançar o Artemis II, o primeiro voo tripulado do programa lunar americano em mais de meio século. Uma nova partida rumo à Lua, alimentada pela memória daqueles para quem a exploração espacial parou em pleno voo.