EUÉ preciso imaginar a cena: em Nova York, multimilionários preocupados fazendo fila em frente aos caixas eletrônicos dos bancos, para sacar seu dinheiro o mais rápido possível. Claro que na era das finanças desmaterializadas isto não acontece assim, mas é o que vem acontecendo há vários meses nos grandes fundos de crédito privados: centenas de investidores muito ricos procuram recuperar as suas poupanças, sem muito sucesso.
A Blue Owl Capital, uma das maiores gestoras de crédito privadas, anunciou na quinta-feira, 2 de abril, que, durante o primeiro trimestre, os seus clientes procuraram resgatar 5,2 mil milhões de dólares dos seus investimentos em dois dos seus fundos. Os pedidos de levantamento representam 22% e 41% do valor total destas entidades, respetivamente. Ou uma hemorragia se a Blue Owl tivesse seguido em frente, mas os resgates de investimentos sendo limitados, o dinheiro fica bloqueado. A perspectiva de retorno de dois dígitos também apresenta algumas desvantagens.
Consequências violentas do mercado de ações
A empresa coruja não é a única a vivenciar tal desencanto. Apollo, Blackstone, BlackRock, Ares Management… Todos os gigantes do setor viram um afluxo de clientes ansiosos, que pediram para recuperar quase 14 mil milhões de dólares nos primeiros três meses do ano, segundo dados da empresa Robert A. Stanger & Co., ou dez vezes mais do que em 2024 para o mesmo período. Um pouco mais da metade teria sido paga. As consequências no mercado de ações são violentas: as ações da Blue Owl perderam 42% do seu valor desde 1er Janeiro, a Ares Management (-36%), a Apollo (-26%) e a Blackstone (-26%) não estão muito melhor.
O que aconteceu com os filhos de ouro de Wall Street? O crescimento extraordinário destes chamados gestores de crédito “alternativos” – porque não investem nos mercados bolsistas, onde os dados são públicos, mas no mundo mais moderado das finanças privadas – tem sido tema de manchetes há quinze anos.
Você ainda tem 51,96% deste artigo para ler. O restante é reservado aos assinantes.