O Retângulo de Lascaux, de Stanislas Dehaene (Odile Jacob, 352 p., 24,90€, digital 19,99€)

Quase trinta anos depois de seu primeiro trabalho público geral, O chefe da matemática (Odile Jacob, 1996), Stanislas Dehaene volta às fontes daquilo que nos torna seres matemáticos. Sua convicção inicial só se fortaleceu: o neurocientista está ao lado de Immanuel Kant (1724-1804) e René Descartes (1596-1650) – “a verdadeira ideia do triângulo já estava dentro de nós”avançou este último em seu Meditações metafísicas. E não a do empirista John Locke (1632-1704), para quem o espaço é construído a partir de dados sensoriais.

“Todo ser humano nasce com conceitos inatos de espaço e número”escreve Stanislas Dehaene. Mas, embora tenha dedicado a sua reflexão inicial aos números e à aritmética, desta vez aborda as origens da“outro pilar da matemática: geometria”. Figura negligenciada da arte rupestre, o retângulo de Lascaux, que dá título ao livro, carrega o germe de todo o edifício mental que permitirá à nossa espécie, e somente a ela, construir a matemática e, a partir dela, as ciências, acredita ele. Tonto !

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