Frédérique Leclerc, em março de 2022.

Existem crimes não resolvidos. E desastres naturais inexplicáveis. O maior de todos os tsunamis que atingiram as costas do Mediterrâneo nos últimos dois séculos foi, portanto, incluído entre estes “casos arquivados”. Até que Frédérique Leclerc decidiu ir examinar, com um robô a 1.200 metros de profundidade, o sopé de uma escarpa de falha subaquática. De facto, um véu de mistério envolveu os acontecimentos de 9 de Julho de 1956, quando, às 6 horas da manhã, uma onda gigantesca de 20 metros de altura, precedida por um grande terramoto, irrompeu na costa da ilha grega de Amorgos e atravessou o Mar Egeu.

Como é que esta docente do laboratório Géoazur da Universidade Côte-d’Azur se encontrou no arquipélago das Cíclades, procurando, no meio do relevo atormentado do abismo, os vestígios de um terramoto de sete décadas? Provavelmente como resultado de reuniões. Aquela, na faculdade de sua cidade natal, Senlis (Oise), com esse professor de ciências da vida e da terra que todos os anos a levava 4são visite os vulcões de Auvergne. Depois, em 2008, durante um estágio de bacharelado no Observatório Vulcanológico e Sismológico da Martinica, com Nathalie Feuillet, do Instituto de Física do Globo de Paris. Impressionado com o “maturidade” e o“autonomia” desta brilhante aluna da Universidade Paris-Diderot, o geofísico colocou-a sob a sua proteção e levou-a, no ano seguinte, nas suas andanças pelo arco vulcânico das Pequenas Antilhas.

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