Frédéric Péchier, condenado à prisão perpétua por 30 envenenamentos, incluindo 12 fatais, comportou-se como “um serial killer” com para “parque infantil” a clínica de Besançon onde trabalhava como anestesista, segundo motivações do tribunal recuperadas, terça-feira, 23 de dezembro, pela Agence France-Presse (AFP).
“A multiplicidade de atos criminosos”julgado durante um julgamento excepcional que durou três meses e meio no tribunal de Doubs, “leva à evocação do funcionamento de um serial killer”escreve o tribunal, nestas razões publicadas cinco dias após o veredicto, proferido em 18 de dezembro.
O documento de 57 páginas, assinado pela presidente do tribunal, Delphine Thibierge, e pelo primeiro jurado, traz uma análise aprofundada da personalidade do acusado, “dividido entre um eu adaptado ao ambiente familiar e um eu ferido ao ambiente profissional”.
“Obter reconhecimento profissional”
O texto analisa os 30 casos de intoxicação atribuídos ao anestesista, acusado de ter poluído bolsas de transfusão para prejudicar colegas.
“Frédéric Péchier utilizou assim os seus conhecimentos médicos e anestésicos tanto para resolver conflitos profissionais com os seus colegas como para responder às tensões internas do seu desconforto, atestadas nomeadamente por uma tentativa de suicídio (em 2014) e consultas ocasionais com um psicólogo”estimam os juízes.
O anestesista interveio algumas vezes para tentar ressuscitar as vítimas, mas 12 delas morreram. “O acusado conseguiu encontrar na clínica Saint-Vincent [de Besançon où la plupart des empoisonnements ont eu lieu] um parque infantil que lhe permitiu obter o reconhecimento profissional que esperava do pai, beneficiando como tal de uma certa aura dentro do bloco operatório”observa o tribunal. A defesa de Frédéric Péchier recorreu.