A agência meteorológica espanhola levantou na quinta-feira o alerta vermelho para chuvas excecionais devido à passagem da depressão Leonardo que causou danos generalizados na Andaluzia (sul), onde está desaparecida uma mulher, que caiu numa ribeira.

No vizinho Portugal, que mal recupera da passagem devastadora da tempestade Kristin na semana passada, um homem de sessenta anos morreu na quarta-feira no sudeste do país, também arrastado pela corrente de um rio, segundo a proteção civil.

A Península Ibérica está na linha da frente das alterações climáticas na Europa e tem vindo, desde há vários anos, a registar ondas de calor cada vez mais longas e episódios de chuvas fortes cada vez mais frequentes e intensas.

Em 24 horas, a depressão Leonardo atingiu duramente a Andaluzia, região do sul de Espanha, com chuvas torrenciais que atingiram localmente mais de 40 cm na zona mais afetada, nos arredores da cidade de Grazalema.

Isto corresponde a vários meses de precipitação em locais onde os solos já estão “saturados”, alertou a Aemet, a agência meteorológica espanhola, agravando ainda mais o risco de “inundações e deslizamentos de terra”.

As aldeias foram em grande parte inundadas por águas acastanhadas, uma mistura de terra e lama que, em certos locais, arrastava tudo pelo caminho.

“Nos galpões a água já começa a penetrar onde estão os animais e temos que ter muito cuidado”, disse à AFP Oscar Gonzalez, um jovem agricultor de 24 anos, preocupado com seu gado.

– “A água continuará a acumular-se” –

Na manhã de quinta-feira, a Aemet baixou o alerta na Andaluzia para precipitações muito fortes, do vermelho – o nível mais alto – para o laranja, alertando, no entanto, para ventos ainda “muito fortes”.

“Vai continuar a chover”, afirmou o órgão público, mas “a precipitação será menos intensa, mesmo que continuem a acumular-se litros de água”.

Áreas do centro e noroeste de Espanha, a cerca de 1.000 km de distância, também estão em alerta laranja, principalmente devido aos ventos fortes.

Perante a precipitação descrita como “extraordinária” pela Aemet, as autoridades regionais (responsáveis ​​em Espanha pela gestão de situações de emergência) tomaram a decisão, por precaução, de encerrar na quarta-feira a maior parte das escolas da região e de evacuar pelo menos 3.500 pessoas.

A Guarda Civil também declarou à AFP que “uma mulher (tinha) caído no rio Turville, na localidade de Sayalonga”, a cerca de cinquenta quilómetros de Málaga, e que os seus serviços “continuam a procurá-la”.

Na quinta-feira, as aulas foram retomadas em algumas escolas, mas não nas zonas mais afetadas pelas cheias.

O tráfego ferroviário e rodoviário ainda está praticamente paralisado.

– Bombeiros prestam reforço em Portugal –

Em Portugal, a situação mais preocupante continua a ser em Alcácer do Sal, cerca de cem quilómetros a sul de Lisboa, onde o rio Sado transbordou, inundando as ruas do centro da cidade.

Quase uma centena de pessoas foram evacuadas para lá desde quarta-feira, segundo a proteção civil, que não reportou quaisquer vítimas.

Ao anoitecer de quarta-feira, bombeiros bombeiros socorreram moradores isolados a bordo de barcos infláveis, notaram jornalistas da AFP.

Na região, as escolas permanecerão fechadas quinta e sexta-feira, afetando cerca de mil alunos.

Em Lisboa, perante o risco de inundações e queda de árvores, o município decidiu encerrar túneis e parques, enquanto várias ligações fluviais foram suspensas.

Várias linhas ferroviárias também foram interrompidas no norte e centro do país.

A depressão Leonardo deverá evoluir na quinta-feira “para um regime de aguaceiros (…), que poderá ser acompanhado de granizo e trovoadas”, afirmou o Instituto Meteorológico Português (IPMA) no seu último boletim, com uma intensificação do vento que poderá atingir os 100 km/h em alguns locais.

Portugal, que organiza a segunda volta das eleições presidenciais no domingo, viveu o segundo janeiro mais chuvoso desde 2000, segundo o IPMA.

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