O mundo acaba de viver o seu quinto fevereiro mais quente, durante um mês marcado por chuvas muito intensas em parte da Europa, anunciou terça-feira o observatório europeu Copernicus.
As temperaturas atingiram, em média, 13,26°C no mês passado em todo o mundo, 1,49°C acima do período pré-industrial (1850-1900), antes da utilização massiva de carvão, petróleo e gás aquecerem o clima de forma duradoura.
No continente europeu, as temperaturas foram, em média, bastante frescas, com o mês passado classificado entre os três fevereiros mais frios dos últimos 14 anos, mas com fortes contrastes.
As condições foram, portanto, mais frias na Escandinávia e na Finlândia, nos Estados Bálticos e no noroeste da Rússia, em comparação com as condições normais de 1991-2020. Mas, inversamente, foram mais quentes na Europa Ocidental e Meridional.
Para as temperaturas da superfície oceânica, fevereiro foi o segundo mais quente, detalha o Copernicus no seu boletim climático mensal.
No Ártico, a extensão média do gelo marinho ficou 5% abaixo da média, atingindo a terceira menor área registada num mês de fevereiro. Mas aqui, novamente, os contrastes foram marcantes, uma vez que atingiu a sua maior extensão mensal no Mar da Gronelândia em 22 anos.
As diferenças regionais ainda eram significativas para as condições hidrológicas, com a maior parte da Europa Ocidental e Meridional a registar um mês mais húmido do que a média – como a França, afectada por inundações em grande escala – enquanto o resto do continente foi mais seco.

Nove tempestades, em particular, trouxeram chuvas torrenciais e ventos violentos a Espanha, Portugal e Marrocos entre 16 de janeiro e 17 de fevereiro, causando mais de 50 mortes. Num estudo publicado no final de fevereiro, o grupo de cientistas World Weather Attribution (WWA) concluiu que as alterações climáticas intensificaram estas chuvas.
“Os acontecimentos extremos de fevereiro de 2026 destacam os efeitos crescentes das alterações climáticas e a necessidade premente de uma ação global” para as combater, sublinhou Samantha Burgess, gestora do Copernicus, citada no boletim.
“A Europa registou fortes contrastes de temperatura”, enquanto “rios atmosféricos excepcionais – corredores estreitos de ar muito húmido – trouxeram precipitações recorde e inundações generalizadas para a Europa Ocidental e Meridional”, disse ela.