Uma missão parlamentar sobre a utilização do hexano, solvente químico utilizado na extracção de óleos vegetais, recomenda a “imposição imediata de informação” aos consumidores sobre a utilização desta “substância muito perigosa”, num relatório publicado quarta-feira.

“Nossa principal observação é que o hexano é um produto perigoso. (…) É classificado como neurotóxico para humanos pela Agência Europeia de Produtos Químicos (Echa), tóxico por inalação e suspeito de contribuir para o desenvolvimento de doenças como o Parkinson”, disse à AFP o deputado Richard Ramos (MoDem), coautor do relatório com seu colega Julien Gabarron (RN).

“No mínimo, devemos informar o consumidor e aguardar os próximos resultados científicos para saber se deve ser proibido”, afirmou, acrescentando que vai preparar uma “proposta de lei” nesse sentido.

A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), contactada pela Comissão Europeia, considerou necessário reavaliar esta substância, cujos limites máximos de resíduos (LMR) autorizados foram estabelecidos em 1996 e nunca mais revistos desde então. Suas conclusões são esperadas para 2027.

O hexano é um solvente proveniente da destilação do petróleo utilizado para extrair óleo de sementes oleaginosas (colza, girassol, soja): barato, permite otimizar a extração para atingir 97% do óleo contido nas sementes (em comparação com cerca de 80% apenas por pressão mecânica).

O hexano é então “eliminado em mais de 99,9% do petróleo bruto e das tortas” (restos da semente prensada rica em proteínas e utilizada na alimentação do gado), o que “não pode, no entanto, evitar a presença de resíduos nos produtos alimentares”, segundo o relatório parlamentar.

Por seu lado, a Federação Nacional de Substâncias Gorduras, que reúne os fabricantes do sector, sublinha que “os limites residuais são extremamente baixos” e que “todas as análises mostram o cumprimento do limite regulamentar que é fixado em um miligrama por quilo – com o objectivo de excluir qualquer risco para a saúde”.

A missão parlamentar, por seu lado, deplora a regulamentação europeia “incompleta e obsoleta”, que não define com precisão o que é hexano. E relativamente aos bolos, “não existe conteúdo máximo regulamentar” e “não existe limite máximo de resíduos” para “produtos de origem animal” como leite ou carne.

Contudo, afirma o relatório, “existem alternativas” e “os líderes do sector persistem em ignorá-las”. Cita em particular a gigante petrolífera Avril “cujos representantes recusaram o convite dos relatores para serem entrevistados”.

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