Usado por um impecável Christopher Walken, “The Dogs of War” é um pequeno clássico do gênero, muito ancorado em sua época, os anos 80. Uma obra muito mais sombria e violenta que Os Mercenários. Para ver no Prime Video!
Um venerável cineasta de 85 anos, mas hoje em grande parte esquecido, John Irvin começou sua carreira na Inglaterra como assistente de montagem durante a década de 1960. Durante a década de 1970, fez documentários e aos poucos progrediu na direção de longas-metragens. Diretor do esquecível (e igualmente violento) contrato com Arnold Schwarzenegger, assinou em 1987 aquele que é justamente considerado seu melhor filme e uma das melhores obras realizadas sobre a Guerra do Vietnã: Hamburger Hill. Mas foi com The Dogs of War, em 1980, que John Irvin teve a oportunidade de dirigir seu primeiro longa-metragem.
Já conhecido por ter escrito O Chacal em 1971, solidamente adaptado para o cinema por Fred Zinnemann em 1973, o romancista britânico Frederick Forsyth teve, para escrever The Cães de Guerra que servirá de base para o filme, infiltra-se nos círculos de tráfico de armas em Hamburgo sob uma identidade falsa, antes que sua foto nas costas da versão alemã do Chacal o traia e o obrigue a interromper apressadamente sua investigação.
The Dogs of War é a história de Jamie Shannon (Christopher Walken), um renomado mercenário. Sua função: viajar pelo mundo e participar de todas as guerras que possam enriquecê-lo. Acaba de aceitar a missão mais perigosa da sua carreira: organizar um golpe em Zangaro, um estado africano governado por um ditador sanguinário; uma espécie de contrapartida cinematográfica do cruel General Idi Amin Dada. Para cumprir seu contrato, ele recruta uma equipe de mercenários perigosos… Verdadeiros cães de guerra.
Artistas Unidos
Tendo passado por diversas mãos, inclusive de Norman Jewison (o diretor de Rollerball) e até de Michael Cimino que se interessou em dirigi-lo, The Dogs of War teve uma gestação complicada desde os primeiros rumores de uma adaptação do romance de Forsyth, em dezembro de 1975. John Irvin, que acabou no comando do filme, trabalhou nele por um ano antes mesmo de filmar.
O filme, logicamente violento pela própria natureza do tema, é ao mesmo tempo muito atual, numa época em que se fala muito em empresas militares privadas (Wagner, Blackwater…), mas também muito simbólico da sua época.
A de uma América Reaganista, multiplicando sem escrúpulos o apoio às ditaduras nos quatro cantos do globo, financiando secretamente operações de desestabilização, ou mesmo intervenções armadas diretas, como a invasão da ilha de Granada em 1983.
Apoiado por um lendário diretor de fotografia, Jack Cardiff, a quem devemos a foto de Vikings ou The Red Slippers, para citar apenas essas duas obras), povoado por um elenco bastante sólido em torno de Walken (incluindo Tom Berenger, futuro sádico Sargento Barns em Pelotão), John Irvin entrega com Os Cães de Guerra uma obra sólida no gênero, muito mais negra e brutal que um Mercenários. Isso não significa necessariamente que seja uma obra-prima, o que não é, mas continua a ser um filme a descobrir.