Maurits Cornelis Escher (1898-1972), que beneficiou da sua primeira grande exposição em França, na Monnaie de Paris, onde estão reunidas mais de 170 obras, é um OVNI. A história da arte o negligencia: basta pensar, um quase contemporâneo de Pablo Picasso – que, com o cubismo, explodiu a visão clássica do espaço – que dedicou a sua vida ao estudo da perspectiva! Mas fascina os cientistas, especialmente os matemáticos. É um deles, Federico Giudiceandrea, curador da exposição, à qual quis associar Jean-Hubert Martin, ex-diretor do Museu Nacional de Arte Moderna-Centro Pompidou, só para nos lembrar que Escher também era artista.
“Ele nunca fez uma exposição pessoal em Parisdiz Jean-Hubert Martin. Demorou quinze anos para convencer uma instituição a aceitá-lo, ainda é surpreendente. Tivemos recusas sistemáticas, inclusive por parte da Reunião dos Museus Nacionais. Paradoxalmente, acho que o que é chato é que ele é popular! Mas também que uma das regras dogmáticas da modernidade é que a partir de agora a superfície, abstrata ou figurativa, deve ser plana, não brinca mais com a perspectiva. Pessoas que usam perspectiva são velhos peidos. E ele só faz isso. »
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