São rostos que nos observam de outra época. Por ocasião do 110e aniversário da Batalha de Verdun (21 de fevereiro a 18 de dezembro de 1916), o Estabelecimento de Comunicação e Produção Audiovisual de Defesa (ECPAD) divulgou de seus arquivos fotos tiradas em campo pela Seção Fotográfica do Exército, sua ancestral, criada em maio de 1915. Elas foram agrupadas em um livro publicado em fevereiro intitulado Verdun, fotografando a Grande Guerra (ECPAD, 19 euros, para encomenda online).
O estabelecimento possui um acervo de 110 mil fotos e 2.048 filmes sobre a Primeira Guerra Mundial. Paradoxalmente, apenas 1.500 estão dedicados a esta batalha, com um total de 300.000 mortos ou desaparecidos em ambos os lados. O simples nome de Verdun descreve até onde uma guerra pode ir em sua loucura. Muitas vezes desconhecido, às vezes inédito, alguns ainda marcados com a menção “censurado”as 140 imagens oferecidas oferecem um outro olhar sobre este episódio mítico da Primeira Guerra Mundial.
Verdun, “esta corrida para o abismo”como escreve o historiador Michaël Bourlet no prefácio da obra, foi muitas vezes reduzido a clichês de homens escondidos nas trincheiras. Visão incompleta e até distorcida ao folhear este livro. Já não havia mais trincheiras depois que 50 milhões de projéteis reviraram a terra. Os homens vagam pelas paisagens lunares, em constante movimento. Se a frente for limitada a 5 quilómetros de largura e 10 quilómetros de profundidade, dependendo de ataques e contra-ataques, “Franceses e alemães travam uma guerra de movimentos num lenço de bolso”especifica Michaël Bourlet.
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