Se há algo em comum entre um romancista e um psicólogo forense é a capacidade de fazer os mortos falarem. Na verdade, entre Dolores Redondo, autora de 57 anos, e Nash, protagonista de Aqueles que não dormemo segundo volume da tetralogia de Vales tranquilosaberto com Esperando pela enchente (Gallimard, 2024), o elo é de facto este desejo de devolver uma identidade, uma história e, portanto, uma dignidade às vítimas.
A nova heroína do espanhol é uma personagem à parte no mundo da ficção policial. Seu nome? É uma referência à sigla que resume as causas de morte: natural, acidental, suicídio ou homicídio. Ou “Nash”. “Não queria que fosse policial. Já tenho uma personagem que é, Amaia Salazar [héroïne de La Trilogie du Baztan, entamée avec Le Gardien invisible (Stock, 2013)]. Era preciso ir mais longe, complicar a investigação, para que houvesse uma sensibilidade especial”explica ela, nas instalações da Gallimard, em Paris, enquanto toma o seu café expresso.
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