Gênova, Ligúria, final da década de 1960. Numa cozinha que cheira a eletrodomésticos novos, a manteiga, cortada em pedaços, derrete suavemente no fundo de um grande prato aquecido no forno, exalando um aroma envolvente.
No centro do recipiente, a massa gira, absorvendo a água do cozimento até formar uma simbiose. Depois vem a camada de parmesão ralado com precisão, antes da mistura final que faz o molho brilhar como verniz.
Em sua cadeira, uma criança observa esse ritual repetido mil vezes. Ela está convencida de que este prato – o mítico fettuccine Alfredo (Ou fettuccine ao burro) – é uma invenção de sua mãe, Rosetta, para seu pai, Alfredo. Ela ainda não sabe que esta receita, nascida numa trattoria romana antes de conquistar a América, para melhor regressar, narra implicitamente a mudança de um país: o fim da austeridade do pós-guerra e a entrada contundente na era do consumo.
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