No meio das negociações, a primeira COP sobre o clima na Amazônia cumpre suas promessas: debate vigoroso sobre assuntos enormes, uma atmosfera calorosa que tornou caótica e uma serenidade brasileira infalível apesar da contagem regressiva.

Pela primeira vez desde a COP26 em Glasgow, em 2021, a sociedade civil global – activistas, ONG, povos indígenas, cientistas, sindicalistas, etc. – poderá expressar-se livremente no sábado nas ruas de Belém, sem receio de detenções arbitrárias.

As últimas três conferências climáticas da ONU tiveram lugar em países como o Egipto, os Emirados Árabes Unidos e o Azerbaijão, onde nenhuma ONG considerou seguro manifestar-se fora do local da COP, que é protegido e governado pelas Nações Unidas.

A “marcha climática global” começará por volta das 9h (12h GMT) e passará pela densa cidade amazônica de 1,4 milhão de habitantes por cerca de 4,5 quilômetros, parando a poucos quarteirões do local da COP30.

A marcha deve ser “um poderoso lembrete de que as soluções climáticas só serão legítimas se forem construídas a partir das pessoas e comunidades que sofrem, na sua carne, o colapso climático”, disse Leilane Reis, do Greenpeace Brasil, à AFP.

Entre as exigências está a exigência de “reparações” pelos danos que as empresas e os governos causaram, particularmente às comunidades tradicionais e marginalizadas.

Esta conferência sobre o clima já foi perturbada duas vezes pela sociedade civil e, em cada uma delas, pelas comunidades indígenas.

Terça-feira à noite, os manifestantes forçaram a entrada no local da COP e entraram em confronto com as forças de segurança. Na manhã de sexta-feira, outros manifestantes indígenas bloquearam a entrada principal e interromperam reuniões de cúpula com autoridades brasileiras.

– “Montanha russa” –

Após tensões entre o Brasil e a ONU, que co-organiza o evento, as autoridades brasileiras posicionaram soldados de grande visibilidade em torno do Parque da Cidade, sede da conferência, numa tentativa de evitar qualquer agitação nos últimos dias de negociações.

Onde estão essas negociações? Ao final de uma semana, a presidência da COP30 deverá revelar na tarde de sábado o fruto de suas consultas para conciliar os pedidos dos países sobre uma série de assuntos.

Assuntos tão espinhosos como as ambições em termos de redução das emissões de gases com efeito de estufa, o financiamento climático em benefício de países vulneráveis ​​ou as barreiras comerciais.

Vários participantes acreditam que todos ainda mantêm as suas posições enquanto aguardam a chegada dos ministros na segunda-feira, que terão de encontrar um consenso de quase 200 países até ao final da conferência, em 21 de novembro.

Um negociador africano quer que a presidência resolva o assunto com as próprias mãos. “Caso contrário, isto poderá acabar por ser uma COP vazia”, teme. “Os países estão aqui para obter um bom resultado nesta COP”, disse o secretário de Estado alemão, Jochen Flasbarth, na sexta-feira.

As negociações “são como uma montanha-russa, têm altos e às vezes têm baixos”, resumiu a negociadora-chefe brasileira, Liliam Chagas – sem revelar cartas.

Segundo um diplomata ocidental, os brasileiros descreveram esta semana as discussões como “sessões de terapia” e pediram às delegações que descrevessem seus desejos em “cartas de amor”.

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