Noites sem dormir, pontuadas pelo som dos bombardeamentos israelitas nos subúrbios ao sul de Beirute, podem ser lidas nos olhos de Ali (que não quis revelar o seu apelido), rodeado de preto. Quatro dias após o reinício das hostilidades entre Israel e o partido xiita libanês Hezbollah, o homem de quarenta anos teve de fugir por sua vez. Por volta das 15h. Na quinta-feira, 5 de março, o exército israelita ordenou a evacuação do seu bairro, Chiyah, bem como de três outros bairros predominantemente xiitas nos subúrbios do sul e do bairro maioritariamente cristão de Hadeth, antes do início dos ataques a meio da noite.

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A ordem de evacuação já não se limita a alguns edifícios designados por Israel como centros de comando do Hezbollah ou depósitos de armas. Diz respeito a todo o Dahiyé, os subúrbios do sul onde o Partido de Deus reina supremo, e aos seus 700.000 habitantes (de uma população total de menos de 6 milhões). Os hospitais localizados nesta área tiveram que organizar às pressas a transferência de pacientes, alguns dos quais em estado crítico, antes de fecharem as portas.

Ali reuniu a mãe, a esposa, os quatro filhos, os dois gatos e alguns pertences em sacos plásticos. A pé, todos chegaram à rotunda de Tayouneh, a algumas centenas de metros das suas casas. Ficaram ali, na entrada de Beirute, sem saber para onde ir. Seus familiares também moram nos bairros alvo da ordem de evacuação. “Não me pergunte como me sinto!” Olhe ao seu redor: a situação fala por si”disse Ali, no limite dos nervos.

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