Há vários anos, uma questão agita os especialistas em neurociências: o cérebro humano adulto ainda produz neurônios? Nos roedores, a resposta é clara: no hipocampo, estrutura fundamental para a memória e a aprendizagem – mais precisamente numa sub-região chamada “giro denteado” – as células estaminais neuronais dão origem a novos neurónios. Esses neurônios imaturos então se integram aos circuitos de memória. Este processo de neurogênese diminui com a idade e é prejudicado em modelos de camundongos com doença de Alzheimer, contribuindo para o comprometimento da memória nesses roedores.
Por outro lado, “Em humanos adultos, a existência de neurogénese é altamente debatida, com estudos que apresentam resultados contraditórios, em grande parte ligados a protocolos de preparação de tecidos e marcadores utilizados para identificar neurónios”aponta Nora Abrous, diretora de pesquisa do Inserm, chefe da equipe de neurogênese e fisiopatologia do Neurocentro Magendie da Universidade de Bordeaux.
Recentemente, a presença de neurônios imaturos no hipocampo adulto e o declínio do seu número na doença de Alzheimer foram confirmados por sequenciamento de RNA em núcleos celulares isolados. Restava compreender os mecanismos moleculares e celulares que regulam estes fenómenos.
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