Em 2007, essa sequência de ação fez suar milhões de fãs, quebrando os códigos do gênero com força! Uma retrospectiva de uma das lutas mais incríveis da 7ª arte!
Jason Bourne (Matt Damon), com os sentidos em alerta, vê seu adversário à distância. Este último é contratado para matá-lo e à agente da CIA Nicky Parsons (Julia Stiles). Mas há um problema: o inimigo está no prédio em frente, pronto para atacar a jovem.
Sem pensar um só segundo, Bourne ganha impulso, corre a toda velocidade, apoia-se no corrimão e se lança no vazio! Com um estrondo ensurdecedor, ele bate na janela, quebrando o vidro em mil pedaços, e cai de pé.
O assassino, com a arma carregada, começa a atirar em sua direção. Sem hesitação, sem pausa heróica: Jason Bourne entra na luta com determinação. Corpos se chocam, golpes voam, é seco e nervoso, longe das brigas que estamos acostumados a ver no cinema.
Supremo
Uma luta seca e nervosa
Esta não é uma elegante coreografia de artes marciais de Hollywood. Não. É sujo, brutal, visceral. Dois predadores trancados em uma gaiola muito pequena. A câmara acompanha a acção o melhor que pode, em solavancos que nos agarram até às entranhas.
Os traços são curtos, secos e precisos. Cada objeto vira uma arma: paredes, móveis, molduras, cabe tudo ali. Jason Bourne não luta para impressionar, ele luta para sobreviver. Ele antecipa, desvia, acerta onde dói. Sentimos que ele conhece esse cara: mesmo treinamento, mesmo instinto, mesma violência contida.
A luta continua num banheiro apertado; a câmera está sempre nervosa, grudada nos corpos. Sentimos cada impacto, cada desfile de Bourne quando ele tenta evitar o fio de uma navalha que seu inimigo empunhou.
Não há música heróica para segurar nossas mãos, apenas a respiração, os grunhidos, os vidros quebrando e o caos. É quase animal, com duas sombras se anulando, até que Bourne assume a vantagem, tanto por inteligência quanto por raiva.
Quando a luta termina… não há triunfo. Apenas um silêncio pesado. O herói está exausto, mas deve continuar sem perder de vista o seu objetivo. Essa cena é resumida por Jason Bourne em poucos minutos: eficiência absoluta, violência realista, tensão máxima. Cinema de ação cru e prático que redefiniu completamente o gênero nos anos 2000.
Uma cena de ação vanguardista
Essa sequência vem do 3º episódio da saga, Vingança na Pele, lançada em 2007 e dirigida por Paul Greengrass. 5 anos antes, Bourne havia feito uma entrada sensacional na 7ª arte, tirando completamente a poeira tanto das coreografias de luta, como também da forma de filmá-las. Em 2006, por exemplo, Casino Royale se inspirou diretamente em Jason Bourne para modernizar o Agente 007, com um James Bond muito mais realista e brutal.
Aqui, sem efeitos de exibição, sem música para significar o momento “legal”, é simples, direto, autêntico. Ambos os homens atacam para neutralizar, não para brilhar. Sentimos imediatamente que todo erro pode ser fatal. Resultado: nós realmente acreditamos nisso. E quando o espectador acredita de todo o coração, causa um impacto espetacular.
Além disso, a luta tem um grande interesse narrativo. Jason Bourne está na frente de seu espelho. O adversário não é apenas um vilão clássico para eliminar e passar para o próximo. É outro Bourne: mesmo treino, mesmos reflexos, mesma frieza. Essa cena então se torna mais que uma luta! É Bourne versus o que ele poderia ter se tornado se não tivesse buscado a verdade. Dá uma dimensão trágica ao duelo.
A revolução na pele
Como mencionado acima, a encenação da luta também foi revolucionária na época. A câmera treme, fica colada aos corpos, recusa uma distância confortável. É deliberadamente “ilegível” porque o realizador não quer que “observemos” a cena, quer que entremos nela, que a experimentemos por dentro. Cada impacto parece real, cada parede muito próxima. Isto cria uma tensão física rara no cinema de ação.
Quando termina, o espectador não fica eufórico. Essa cena nos deixa sob tensão, saímos quase vazios. E é justamente por isso que fica na memória: atinge tanto a cabeça quanto as entranhas. Entre James Bond, John Wick e The Raid, a saga de Jason Bourne terá influenciado muitas outras franquias de ação; eles assumirão essa impactante encenação para transcendê-la e trazer cada vez mais modernidade.
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