Mesmo ausente das telas, Robert Mitchum tem um impacto profundo em “Tombstone”. Retorne a uma voz que ressoa como uma homenagem aos grandes tempos do faroeste e uma passagem de bastão entre duas gerações de lendas.

Figura essencial do western clássico, Robert Mitchum deixou uma marca inesperada em Tombstone. A sua presença é (muito) discreta, mas confere ao filme uma profundidade simbólica muitas vezes subestimada.

Lançado em 1993 sob direção de George Pan Cosmatos, o longa participou do renascimento do western nos anos 90. No mesmo período, outras obras importantes, como Merciless ou Legends of Autumn, ofereceram uma visão dura e realista do oeste americano. Por outro lado, Lápide reivindicou uma abordagem mais romântica, quase festiva, homenageando a era de ouro de Hollywood.

O sucesso do filme depende em grande parte de seu elenco impressionante. Kurt Russell e Val Kilmer interpretam Wyatt Earp e Doc Holliday respectivamente, duas figuras opostas na mesma busca por justiça. Mas se Mitchum não aparece fisicamente na tela é porque um acidente de cavalo ocorrido no início das filmagens o forçou a desistir do papel do patriarca de Clanton, famoso fora-da-lei do Velho Oeste.

Em vez de desaparecer totalmente do projeto, ele finalmente emprestou sua voz à sequência de abertura. Esta narração introdutória define o cenário: uma América pós-Guerra Civil, marcada por violência e tensões, onde as trajetórias de Earp e Holliday ilustram duas visões muito diferentes do que é um “homem da lei”. O clã Clanton, no entanto, continua central na trama, através dos personagens Ike (Stephen Lang) e Billy (Thomas Haden Church), aliados aos cowboys liderados por Curly Bill, interpretado por Powers Boothe.

Uma homenagem às raízes do western

O uso da narração não é trivial. Refere-se aos primeiros westerns de Hollywood que frequentemente utilizavam esse processo para apresentar a trama e orientar o espectador. Essa técnica, herdada de histórias transmitidas oralmente, lembra que as histórias de cowboys eram inicialmente lendas contadas antes de serem filmadas.

Ao adotar esta abordagem, Lápide destaca-se de obras mais revisionistas como Danças com Lobos ou Homem Morto. Onde estes filmes desconstroem os mitos do Ocidente, Lápide opta por celebrá-los com uma nostalgia assumida.

Robert Mitchum em “Homem Morto” (1995)

Filmes Miramax

Robert Mitchum em “Homem Morto” (1995)

Um casting pensado como ponte entre gerações

O filme não atrai apenas um público contemporâneo graças aos seus protagonistas: também estabelece uma ligação direta com a história do género, atribuindo papéis a figuras associadas aos grandes westerns de outrora, como Charlton Heston, Buck Taylor ou Harry Carey Jr..

Neste contexto, a participação de Robert Mitchum vai muito além da mera performance vocal. Ele que se destacou em clássicos como O Homem da Arma, El Dorado, A Ira de Deus e O Vale do Medo já encarnava, por direito próprio, uma parte da memória do western.

Assim, sua voz em Lápide funciona como uma passagem de bastão entre duas épocas: a dos pioneiros do gênero e a de seu renascimento nos anos 90. Mais do que um simples narrador, ele se torna a voz da própria história.

O filme está atualmente disponível para transmissão no Disney +.

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