euA eleição dos presidentes de câmara socialistas Emmanuel Grégoire, em Paris, e do “rebelde” Bally Bagayoko, em Saint-Denis (Seine-Saint-Denis), dizem muito sobre o processo de gentrificação da capital e a segregação espacial de que resulta, com os seus efeitos económicos perniciosos. Herdado do século XIXe século e o separatismo dos habitantes de belos bairros (7e8e e acima de tudo 16e arrondissement) em relação às “classes perigosas”, a hostilidade demonstrada por parte da classe política e mediática em relação a Seine-Saint-Denis combina racismo e desprezo de classe. Negligencia que é o trabalho da juventude modesta que paga as pensões dos parisienses ricos e idosos e lhes proporciona os cuidados exigidos pela idade. A experiência histórica mostra que a integração económica e social desta juventude é a condição para o sucesso económico do país.
Será agora impossível pensar sobre estas questões sem ter lido o livro de Gilles Postel-Vinay (EHESS-Ecole d’économique de Paris) e Jean-Laurent Rosenthal (Instituto de Tecnologia da Califórnia) sobre a acumulação de riqueza privada em Paris ao longo dos últimos dois séculos (A capital de uma capital, 200 anos de riqueza e desigualdade em ParisLimiar, 544 páginas, 26 euros).
Resultante de vinte anos de investigação sobre os bens de pessoas que morreram em Paris a cada cinco anos, de 1807 a 1977 – após os quais as fontes já não estão acessíveis –, com base em impostos (as heranças são tributadas continuamente desde 1798) e em arquivos notariais, complementados por numerosas fontes estatísticas parisienses, este livro articula visões estatísticas globais e exemplos individuais. Documenta muito concretamente as origens da riqueza dos parisienses (o favor do príncipe, da indústria ou das finanças), as condições de género da sua acumulação e as variações nas desigualdades da sociedade parisiense.
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