Meu parceiro, porém, não tinha aparência de envenenador. Quando cheguei em casa naquela noite, ele estava com o avental da cozinha, a refeição estava pronta, as crianças estavam quase à mesa, o ambiente era ótimo. Eu só tive que me acalmar quando meu olhar mergulhou na panela cheia de batatas fritas congeladas. Ele saltou até o balcão, onde estavam dois pacotes de sanduíches ensacados. No mesmo fôlego, examinei mentalmente todo o armário da mercearia, onde estão empilhados os biscoitos do salgadinho, bem como a geladeira, onde até os vegetais me pareciam suspeitos, e, em vez de cumprimentar minha família, declarei: “Então, teremos que parar com tudo isso!” » Tanto que ninguém, os adultos na cozinha ou as crianças de pijama, já não sabia se o sinal tinha ficado verde para desdobrar o guardanapo.

Fiquei então atolado ao invocar o estudo, publicado em Fevereiro, pela Agência Nacional de Segurança Sanitária (ANSES) sobre os preocupantes níveis de poluição na alimentação dos franceses, e em particular das crianças, como explicou o meu colega de Mundo Stéphane Mandard, a diversos metais como cádmio, alumínio, chumbo e mercúrio. Então me sentei e peguei um pouco de ketchup como distração. Foi para saber se é normal que os pais estejam, como eu, a caminho de se tornarem esquisitos que liguei para a socióloga Anne Dupuy, professora da Universidade de Toulouse e especialista em nutrição infantil.

Você ainda tem 83,28% deste artigo para ler. O restante é reservado aos assinantes.

Fonte

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *