T-shirts, remixes electro ou jazzísticos e milhares de paródias… Raramente um discurso no Fórum Económico Mundial em Davos (Suíça) teve tamanha viralidade. Ou melhor, duas palavras retiradas de um discurso: aquele proferido em inglês por Emmanuel Macron, terça-feira, 20 de janeiro, em que reconhece que a Europa “às vezes é muito lento, com certeza” (“às vezes é muito lento, isso é certo”). Ao enfatizar as duas últimas palavras, “com certeza”, com um sotaque exagerado e, é preciso dizer, um pouco ridículo. “Para Shur”, irá mesmo, ironicamente, assumir, na rede social X, uma mensagem da conta muito oficial (mas satírica) da Resposta Francesa do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Nada une mais do que um presidente francês que fala mal inglês. Nós, franceses, vemos isso, um pouco zombeteiramente, como um reflexo da nossa má reputação nas línguas modernas. No exterior, e particularmente nos países de língua inglesa, é um vestígio de Chique francês. E, às vezes, esse inglês ao estilo francês contribui para o sucesso de uma frase curta. Em 1996, algumas palavras iradas, ditas num inglês pobre por Jacques Chirac em Jerusalém aos agentes de segurança israelitas que o impediam de se aproximar dos manifestantes palestinianos, tornaram-se instantaneamente num símbolo político global: “ O que você quer? Eu voltar para o meu avião e voltar para a França, é isso que você quer? (…) Isso é provocação! »
Você ainda tem 59,88% deste artigo para ler. O restante é reservado aos assinantes.