A editora de software médico Doctolib foi multada em 4,6 milhões de euros pela Autoridade da Concorrência francesa por abuso de posição dominante na marcação de consultas online e teleconsultas, anunciou esta quinta-feira.

A coima pune nomeadamente as cláusulas de exclusividade que impôs aos cuidadores que pretendam aderir à plataforma de consultas online ou ao seu serviço de teleconsultas, e pela aquisição do seu concorrente MonDocteur em 2018, “com o objetivo de trancar o mercado nacional de serviços de marcação de consultas”.

Num comunicado de imprensa, a Doctolib anunciou que iria recorrer.

Esta decisão, que resulta de uma reclamação apresentada em 2019, “apresenta uma leitura errada da nossa atividade, e do nosso setor. A Doctolib não está de forma alguma em posição dominante”, indicou a empresa no seu comunicado.

“Apesar da nossa forte utilização pelo público em geral, a Doctolib é um player recente no setor de software para cuidadores (3 vezes menor que os nossos concorrentes europeus) e hoje equipa apenas 30% dos cuidadores franceses (10% em 2019 no momento da reclamação)”, acrescentou.

“Inúmeros documentos internos da Doctolib corroboram esta vontade de impor exclusividade aos profissionais de saúde, manifestando os seus gestores a vontade de + ser uma interface obrigatória e estratégica entre o médico e o seu paciente de forma a trancá-los a ambos no +”, indica a Autoridade da Concorrência no seu comunicado.

“Desde o lançamento da Doctolib Téléconsultation em 2019, os contratos previam a adesão prévia obrigatória” ao seu serviço de marcação de consultas online. O profissional de saúde ficou assim obrigado a pagar cumulativamente os dois serviços”, indicou a Autoridade da Concorrência.

Quanto ao “MonDocteur”, foi comprado para “bloquear o mercado nacional de serviços de marcação de consultas médicas online”, indicou a Autoridade da Concorrência.

A Doctolib, que tem cerca de 3.000 funcionários, é uma das estrelas da tecnologia francesa, um “unicórnio”, uma start-up cuja avaliação ultrapassa os mil milhões de dólares.

O seu volume de negócios anual atingiu 348 milhões de euros em 2024.

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