Desde janeiro, a análise de 20 PFAS em água potável é obrigatória em França, de acordo com uma diretiva europeia. As análises destas moléculas, que persistem no ambiente e se acumulam nos organismos, serão financiadas pelas comunidades e, portanto, facturadas às famílias.

A diretiva prevê um máximo de 100 nanogramas por litro de água da torneira (200 ng para água bruta, antes do tratamento) para a soma das concentrações de 20 PFAS, padrão adotado pela França.

“Com esta nova regulamentação, teremos resultados em toda a França”, exulta Olivier Andrault, do UFC-Que Choisir, ao mesmo tempo que lamenta os limites regulamentares menos rigorosos do que os utilizados por outros países europeus ou pelos Estados Unidos.

-O que dizem os cientistas?

A Direção-Geral da Saúde (DGS), ramo do ministério, responde que permanecem “incertezas científicas” sobre a real periculosidade destas substâncias e quer ser tranquilizadora: análises realizadas em 35 PFAS diferentes entre 2023 e 2026 registaram apenas 2% de incumprimento.

Como os PFAS são encontrados na água potável (AFP/Arquivos - Valentina BRESCHI, Sylvie HUSSON)
Como os PFAS são encontrados na água potável (AFP/Arquivos – Valentina BRESCHI, Sylvie HUSSON)

Nicolas Thierry, deputado ambientalista responsável pela lei de Fevereiro de 2025 sobre “poluentes eternos”, protesta: “Não há incerteza científica sobre os PFAS. Mais de 10.000 foram identificados. Foram criados pela indústria para serem quase indestrutíveis. A sua extrema persistência significa que todos podem ser considerados perigosos”.

Além do limite de 100 ng/L para 20 PFAS, o Conselho Superior de Saúde Pública (HCSP), órgão independente que assessora o Ministério da Saúde, recomendou em 2024 manter “(a) limite de 20 ng/L para a soma das concentrações de quatro PFAS (PFOA, PFOS, PFNA e PFHxS)” cujo monitoramento é considerado prioritário.

O organismo aconselha também a adaptação local das análises caso seja “detetada poluição hídrica particular e significativa”.

– Frequências de inspeção variáveis

Em França, a investigação do PFAS é realizada no âmbito do controlo regulamentar da saúde sob a responsabilidade das Agências Regionais de Saúde (ARS). Cada um seleciona, por meio de edital, um ou mais laboratórios de análises aprovados pela ANSES.

A frequência destas análises, realizadas na água bruta e no ponto de distribuição ou na torneira, pode variar muito, dependendo do volume de água distribuído e da origem da água: desde uma medição de dois em dois anos até uma por mês, ou até mais se necessário, segundo a FNCCR, uma federação de comunidades que representa, para a gestão da água, mais de 51 milhões de habitantes.

Os resultados das análises são comunicados às comunidades ou aos seus operadores e compilados pelo Ministério da Saúde, que os publica num site em fase de reformulação.

– Um custo adicional mas que tende a diminuir

Este acréscimo no controlo sanitário da água representa um custo adicional de “40 a 50 euros excluindo impostos por análise do montante de 20 PFAS (todas realizadas ao mesmo tempo)”, segundo Régis Taisne, chefe do departamento de ciclo da água da FNCCR.

“Muito longe dos 300 a 600 euros (…) praticados há alguns anos, quando os processos analíticos ainda não estavam industrializados e as análises eram feitas de forma fragmentada”, acrescenta.

Isto não inclui análises específicas para PFAS de cadeia curta, como o ácido trifluoroacético (TFA), cuja omnipresença a ANSES demonstrou na água (92% das amostras analisadas) durante uma recente campanha de investigação.

Por suas recomendações, este PFAS, cuja toxicidade está sendo avaliada, foi incluído na lista de poluentes eternos a serem controlados na água da torneira, mas a partir de 1º de janeiro de 2027.

“Quanto mais adiamos o monitoramento, mais atrasamos a ação”, lamenta Pauline Cervan, toxicologista da Générations Futures, para quem “este atraso é inaceitável”.

A DGS explica esta discrepância pela necessidade de “dar tempo aos laboratórios para melhorarem as suas competências e para a ARS concluir os seus contratos públicos de amostragem de análises”.

Segundo ela, a deteção de TFA induz um custo adicional de “algumas dezenas de euros por análise”.

“Os custos ainda são elevados (mais de 100 euros) mas deverão ser reduzidos nas mesmas ordens de grandeza que a soma dos 20 PFAS” quando forem sistematizados em 2027, indica Régis Taisne.

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