Doença “insidiosa” e subdiagnosticada, por vezes devido a conceitos errados, a subnutrição afecta um milhão de franceses com mais de 65 anos, segundo o Colectivo de Combate à Desnutrição, que aumenta a consciência sobre este importante problema de saúde pública.

Em 2024, dois anos depois do câncer de pulmão que o fez perder 6 quilos, Marc, de 82 anos, é “hospitalizado por causa de uma infecção grave”: seu peso cai para “45 kg, em comparação com 68” em tempos normais, explica à AFP no início da Semana Nacional da Desnutrição, na segunda-feira.

“Tomei doses de antibióticos para cavalos e apanhei um fungo no hospital. Já não tinha apetite. Já tinha tido Covid que tinha causado um grande desgosto pela comida”, afirma este ex-violoncelista. O seu prazer culposo, as compotas de laranja que faz, ganham um “sabor metálico”.

Com a infecção tratada, acompanhado por nutricionista e fisioterapeuta, ele recuperou 12 kg, “come naturalmente” e “ganha gramas todos os meses”.

“Mas eu estava morrendo de desnutrição”, lembra Marc, para quem esta “doença paralela, que ocorre além daquela para a qual estamos sendo tratados, nem sempre é levada a sério no hospital”.

Às vezes associada à queda do moral, à perda do paladar ou a problemas dentários, a desnutrição afeta frequentemente “pessoas doentes, que têm dificuldade em comer adequadamente”, explica a professora Agathe Raynaud-Simon, chefe do departamento de geriatria do hospital Bichat AP-HP.

Aos 70 anos ou mais, perder pelo menos 5% do peso em um mês ou 10% em seis meses é um dos principais critérios de desnutrição, segundo a Alta Autoridade de Saúde.

O idoso “fica mais debilitado, tem problemas de locomoção e pode desenvolver complicações: quedas, internação ou até institucionalização”, explica o geriatra, presidente do Coletivo de Combate à Desnutrição, organizador da Semana.

A subnutrição é um estado em que o corpo não recebe energia, proteínas e nutrientes suficientes para satisfazer as suas necessidades. Resultado: perda significativa de peso, redução do tecido adiposo e dos músculos.

“É acima de tudo uma história de perda muscular”, enfatiza o geriatra. “Podemos estar desnutridos quando somos magros e isso é claramente visível, mas também quando temos peso normal ou sobrepeso ou obesos: podemos ter muita gordura e falta de músculos.”

Se 4% dos idosos que vivem em casa estão subnutridos, segundo estudos epidemiológicos europeus e americanos, esta percentagem pode subir até 30%, dependendo dos instrumentos de medição.

-“Perder peso insidiosamente”-

Se raramente vão ao médico e as pessoas “ao seu redor não se alarmam com uma perda gradual de peso”, alguns idosos perdem peso “insidiosamente”, observa Agathe Raynaud-Simon.

Também entram em jogo “equívocos”: “achamos que é normal um idoso perder peso: isso é muito errado. E que quando envelhecemos precisamos de menos carne: isso também é muito errado”, acrescenta.

Para remediar esta desnutrição é preciso “comer proteínas”, por vezes “complementar a dieta com vitaminas” e fazer “atividade física para reconstruir os músculos”, afirma.

Como as necessidades proteicas aumentam com a idade, recomendamos consumir proteínas (incluindo carne, peixe, ovos) uma ou duas vezes por dia e três produtos lácteos por dia.

“Isto vai contra o conselho da população em geral: comer menos proteína animal”, observa Barbara Mauvilain, chefe de relações institucionais da Fédération des Banques Alimentaires.

Contudo, em França, dois milhões de reformados vivem abaixo do limiar da pobreza e muitos idosos não dispõem de produtos alimentares caros, incluindo carne e peixe – uma em cada seis pessoas ajudadas pelos bancos alimentares é reformada.

Um programa da federação, “Bons gestos e boa comida”, ajuda 23 mil pessoas por ano a “comer melhor com baixo orçamento” com oficinas de nutrição. Inclui também oficinas de atividade física adaptada, recomendadas para idosos com doenças crónicas, como oito em cada dez beneficiários.

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