“Le Sud” (O Sul), de Tash Aw, traduzido do inglês (Malásia) por Johan-Frédérik Hel Guedj, Flammarion, 304 p., 22,50€, digital 15€.
No centro da notável primeira cena deste romance (um abraço sexual entre dois jovens), ressoa uma nota dissonante, leve e persistente, apesar da harmonia dos gestos e do acordo amoroso. Jay gostaria de esticar o tempo, talvez pará-lo, “aproveite cada segundo”. Mas, bem contra ele, o corpo de Chuan apressa as coisas e, dominado pelo seu desejo, acelera o momento. Para recuperar o controle, Jay fala – demais, sem sucesso.
Quando a narração recomeça no capítulo seguinte, voltando atrás, dando um passo atrás, o leitor tem a sensação de que o texto alcança o que Jay, levado pelo ardor e pela impaciência de sua amante, então perdeu. Porque O Sul é o casulo de um momento íntimo e decisivo, fechado com demasiada rapidez. De forma mais ampla, é também a história de uma viragem coletiva na vida de Jay e da sua família, que partiram, contrariando os seus hábitos habituais, para passar as férias de verão no sul do país – Malásia -, nesta pequena quinta que o avô paterno curiosamente deixou à nora. Entre árvores apodrecidas e dominadas pela seca, sob um sol que parece mais quente que em qualquer outro lugar.
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