Na paróquia de St. Ann, na costa norte da Jamaica, quase todo mundo está sem energia e muitos acordaram sem teto depois que o furacão Melissa varreu o país, derrubando tudo em seu caminho.
“Não tenho onde dormir… terei que entrar em contato com as autoridades”, disse Kayan Davis, na comunidade de Priory. Seu telhado explodiu durante a noite, deixando-a na rua com seus três filhos.
Seu vizinho George “Larry” Brown, pescador, também perdeu o telhado quando a chuva e as rajadas de vento se intensificaram por volta das 17h. (22h GMT) na terça-feira.
O furacão atingiu a Jamaica quando atingiu o pico de intensidade, desencadeando ventos que atingiram 295 km/h e despejando chuvas torrenciais.
“Gilbert não é nada comparado a isto”, diz George “Larry” Brown, mencionando o furacão de 1988 que muitos jamaicanos consideram a referência para a destruição.
Na verdade, Melissa empatou o recorde de 1935 para a tempestade mais intensa já registrada em terra firme, de acordo com uma análise de dados meteorológicos da AFP. Na época, o furacão do Dia do Trabalho devastou as ilhas da Flórida.
Marvin Thomas, outro residente do Priorado, abrigou-se com amigos quando uma árvore caiu em sua casa. “A árvore caiu… e o telhado começou a desmoronar.”

Este trabalhador da manutenção está agora a tentar angariar dinheiro para reconstruir a sua vida.
– Limpe as estradas –
“O nível da água subiu muito, depois começou a lavar a membrana do meu telhado e também danificou a minha vedação”, descreve Sandra Scott, responsável pela segurança na freguesia vizinha de Trelawny.
“Tivemos que usar sacos de areia e lonas para impedir a entrada de água”, explica ela.
As equipas policiais limparam estradas bloqueadas em toda a freguesia, usando facões e motosserras.
“Percebemos que várias árvores foram movidas para a estrada principal e queríamos ter certeza de que ela permaneceria limpa para que ajuda e suprimentos pudessem chegar”, disse o chefe da polícia paroquial, Velonique Campbell.
Ao sul de St. Ann, na cidade de Bog Walk, Maureen Samuels suspira de alívio. Dona de um bar, ela percebe que uma grande árvore caiu a poucos centímetros de seu estabelecimento.
“Vim aqui esta manhã e vi o que aconteceu. Graças a Deus o bar não foi danificado”, disse ela.

Outros não tiveram tanta sorte, acrescenta Samuels, observando que o vizinho Rio Cobre transbordou e danificou algumas propriedades. A fazenda de porcos de um de seus amigos foi afetada. “Fomos seriamente afetados”, conclui ela.
Uma tempestade tão devastadora como Melissa se tornou quatro vezes mais provável devido às mudanças climáticas causadas pela atividade humana, de acordo com um estudo divulgado quarta-feira.