José Alvarez, fundador da Editions du Regard, em Paris, em agosto de 2018.

Desta vez, acabou. José Alvarez, fundador e diretor das Editions du Regard, fecha a aventura que lançou no final da década de 1970. Em quase meio século, esta casa independente terá publicado mais de mil livros de arte – muitas vezes esplêndidos, por vezes sofisticados, sempre únicos. Editor excêntrico, imaginativo e deliberadamente excessivo, José Alvarez divertiu-se durante vinte e cinco anos proclamando que este ou aquele título seria o último, uma forma de evitar o encerramento ou de confundir os limites. Mas desta vez não é mais brincadeira: Le Regard encerrará todas as atividades no dia 31 de março, sem comprador ou milagre de última hora. “O forte desejo de durar”segundo as palavras de Paul Eluard de que a editora tanto gosta, terá acabado por ceder.

A história das Editions du Regard começou em 1977, num cenário ainda confidencial de livros de arte, dominado por algumas grandes casas – Gallimard, Mazenod, Skira, Le Chêne – e por catálogos de exposições de sobriedade sombria. Após a recusa de Flammarion a um ambicioso programa de livros de arte que ele havia cuidadosamente desenvolvido, José Alvarez, um franco-espanhol nascido em 1947, decidiu partir por conta própria, com o capital sendo uma modesta herança de sua avó. Por achar o sobrenome muito banal e desejar cultivar o requinte, ele sai em busca de outro nome que possa expressar com mais precisão o seu projeto: abraçar o XXe século, arte e formas. A Regard então se impõe a ele como prova.

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