Três dias depois da passagem da tempestade Kristin, que deixou cinco mortos, as autoridades portuguesas apelaram sexta-feira à população para estar vigilante face ao aumento dos riscos de inundações provocadas pelas chuvas persistentes a partir da próxima semana.

“Esperamos uma semana muito difícil”, alertou o presidente da Agência do Ambiente, José Pimenta Machado, em conferência de imprensa, referindo-se a um novo período prolongado de chuva a partir de domingo.

“Depois de uma sucessão de tempestades, os solos ficam completamente saturados” de água, explicou, enquanto a proteção civil renovou os seus apelos à prudência.

A passagem de Kristin durante a noite de terça para quarta-feira, acompanhada de aguaceiros e fortes rajadas de vento, causou danos significativos em infraestruturas públicas e em inúmeras habitações.

Mais de 260 mil clientes ainda estavam sem eletricidade na tarde de sexta-feira, especialmente no centro do país, disse à AFP um porta-voz da E-redes, operadora da rede de distribuição de eletricidade.

A maioria das casas e instituições afectadas situa-se no distrito de Leiria (centro), onde foram instalados cerca de 200 geradores.

“Cerca de 650 quilómetros” de linhas de alta tensão continuam fora de serviço, disse o presidente da Rede Nacional de Transporte de Energia Elétrica (REN), Rodrigo Costa, referindo-se a danos de uma dimensão sem precedentes.

Detritos nas ruas da Praia da Vieira, após a passagem da tempestade Kristin em Portugal, 29 de janeiro de 2026 (AFP - Jerome PIN)
Detritos nas ruas da Praia da Vieira, após a passagem da tempestade Kristin em Portugal, 29 de janeiro de 2026 (AFP – Jerome PIN)

Escolas, museus e linhas ferroviárias permaneceram fechadas na sexta-feira.

“A escala dos danos é enorme”, declarou o porta-voz do governo, António Leitão Amaro, durante uma viagem às zonas do desastre na companhia de vários membros do governo e do Comissário Europeu para a Energia e Habitação, Dan Jorgensen.

A resposta das autoridades nacionais “continua suficiente” e a ativação do mecanismo europeu de proteção civil não se justifica nesta fase, sublinhou o ministro, sem contudo excluir o recurso ao Fundo de Solidariedade da União Europeia para ajudar na reconstrução.

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