O lançador pesado europeu Ariane 6 descolou terça-feira à noite do centro espacial de Kourou, na Guiana Francesa, com a bordo um novo satélite destinado à observação ambiental, um novo passo para a Europa que se está a reconectar com o acesso autónomo ao espaço.
A decolagem ocorreu às 18h02. hora local (21h02 GMT), notou um correspondente da AFP no local, seguida da separação do lançador e do satélite, 33 minutos e 51 segundos após a decolagem.
Este é o primeiro passo para colocar este satélite, que pesa mais de duas toneladas, em órbita sincronizada com o Sol, o que acontecerá a uma altitude de 693 km. Esse tipo de órbita permite que o satélite passe próximo aos pólos e sobrevoe todos os pontos da Terra no mesmo horário solar, facilitando a comparação das imagens ao longo do tempo.
Esta missão é o terceiro voo comercial do Ariane 6 desde que entrou em serviço no ano passado.
Novo lançador pesado europeu, o Ariane 6 fez um voo inaugural em julho de 2024, marcando o retorno do acesso autônomo ao espaço para a Europa, apesar do fracasso da reentrada atmosférica do estágio superior no final da missão. O foguete europeu realizou então dois voos comerciais este ano: no dia 6 de março com um satélite militar e no dia 13 de agosto com um aparelho meteorológico.
Desta vez, o foguete leva a bordo o satélite Sentinel-1D, fabricado pela Thales Alenia Space, no âmbito do programa Copernicus, componente de observação da Terra do programa espacial da União Europeia.
– Dados essenciais para o meio ambiente –
A vida útil esperada do Sentinel-1D é de sete anos e meio. Deve juntar-se ao Sentinel-1C, lançado em dezembro de 2024, e substituir o Sentinel-1A, lançado em 2014 e que se aproxima do fim da sua vida operacional.
A missão da dupla é manter o ciclo de revisita de seis dias da missão do Sentinel-1. Ambos estão equipados com receptores compatíveis com Galileo para tornar o posicionamento em órbita mais preciso.
“Estes satélites funcionam aos pares, são muito semelhantes, quase idênticos”, explicou Pier Bargellini, chefe do programa Copernicus da Agência Espacial Europeia, após uma conferência de imprensa.
O presidente executivo da Arianespace, David Cavaillolès, elogiou a precisão do disparo desta terça-feira. “Isso permite que o cliente use seu satélite por mais tempo, pois não precisa usar combustível para entrar na órbita correta”, explicou após a decolagem.
Pelo menos um quarto voo comercial do Ariane 6 está planejado até o final do ano.
Em meados de setembro, a Arianespace revisou para baixo, para quatro, dos cinco anteriores, o número de lançamentos comerciais do Ariane 6 em 2025, mas prometeu aproximadamente duplicar este número em 2026.
Com estes lançamentos do Ariane 6, a Europa recupera a sua autonomia de acesso ao espaço, crucial num contexto de aproximação entre os Estados Unidos e a Rússia.