A desconfiança em relação à sexta-feira 13 não surge do nada. Está ancorado pela primeira vez em um antigo simbolismo do número treze. Na Antiguidade, o doze personifica a perfeição: doze meses do ano, doze horas do dia e da noite, doze deuses do Olimpo ou mesmo doze trabalhos de Hércules. O décimo terceiro elemento perturba esse equilíbrio cuidadosamente ordenado e, assim, torna-se sinônimo de desordem.
Esta ruptura simbólica é encontrada em diversas tradições. Na mitologia nórdica, o décimo terceiro convidado de um banquete celestial não é outro senão Loki, deus da discórdia e da astúcia, cuja irrupção provoca uma tragédia: a morte de Baldr, filho de Odin e deus da luzfigura de pureza e harmonia. Na tradição cristã, treze pessoas partilham a Última Ceia. Judas trai Cristo, abrindo caminho para sua crucificação numa sexta-feira.

A Última Ceiaa última refeição de Cristo rodeado pelos seus doze apóstolos, associou permanentemente o número treze à traição e à morte na tradição cristã, ajudando a forjar o simbolismo sombrio que mais tarde alimentaria a lenda da sexta-feira 13. ©Leonardo da Vinci, Wikipédia
Aos poucos, o número treze se impõe como um número carregado de uma conotação sombria, mesmo em representações populares, como o décimo terceiro arcano do tarô de Marselha associado à morte.
Por que sexta-feira se tornou um dia amaldiçoado?
A este número já suspeito acrescenta-se um dia também carregado de símbolos. Na tradição cristã, sexta-feira está associada à morte de Cristo. Ao longo dos séculos, tornou-se também o dia das execuções públicas, nomeadamente em Roma sob o Império ou nos Estados Unidos e na Inglaterra, enquanto a Idade Média fez dele a noite dos julgamentos de bruxaria e dos maus presságios.
A história reforça esta reputação. A prisão em massa do Grão-Mestre dos Templários, Jacques de Morlay, e de todos os Templários na sexta-feira, 13 de outubro de 1307, deixou uma impressão duradoura e ajudou a ancorar a ideia de um dia desastroso. Outras tragédias ocorridas na sexta-feira 13, por vezes muito publicitadas, alimentarão então a memória colectiva, a ponto de transformar uma simples coincidência em suposta prova.
Má sorte ou sorte induzida?
No entanto, sexta-feira 13 não é temida universalmente. Para alguns, tornou-se até um símbolo de sorte, especialmente em jogos de azar. Em França, esta ambivalência tem sido explorada há décadas: sorteios especiais, nomeadamente durante o Super Loto de sexta-feira, dia 13, atraem milhões de jogadores convencidos de que o risco pode transformar-se em oportunidade.
Noutras partes do mundo, o medo está a mudar. Na Itália, é o dia 17 que preocupa; na Espanha, terça-feira, 13; na Ásia, o número 4 evoca a morte. Tantas variações culturais que nos lembram que a sexta-feira 13 talvez não seja inevitável, mas o produto de uma história transmitida, amplificada e mantida ao longo dos séculos.