
O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, disse na sexta-feira que “desejava” que o óxido nitroso fosse incluído na lista de estupefacientes e confirmou que o governo está a trabalhar para regulamentar rigorosamente esta substância.
“Gostaria que o óxido nitroso fosse visto como uma droga” e classificado como um produto estupefaciente, declarou o Ministro da Justiça à BFMTV/RMC no dia seguinte ao seu encontro, ao lado do Ministro do Interior, Laurent Nuñez, com a mãe de Mathis, 19 anos, mortalmente atropelado por um automobilista sob efeito de óxido nitroso.
Utilizada na medicina ou na culinária, a venda desta substância, apelidada de “gás hilariante”, é em teoria proibida a menores e em determinados locais desde 2021, mas a menos que haja ordens locais, continua legal. Um dos efeitos colaterais desse produto é a perda de controle de seus consumidores.
Laurent Nuñez falou pela sua parte na RTL de medidas a implementar como a proibição do “uso desviado” de óxido nitroso, “para uso eufórico, como uma droga”, lembrando a existência de propostas de lei sobre o assunto no Parlamento.
Se “não estiver classificado na lista de estupefacientes”, o óxido nitroso será “em determinadas utilizações”, “tratado como droga”, afirmou o ministro do Interior.
Mencionou nomeadamente a possibilidade de “poder encerrar negócios que o vendam indevidamente e sobretudo proibir o porto e o transporte e o consumo na via pública de forma generalizada no território nacional”.
Em 1º de novembro, Mathis foi morto em Lille por um motorista que havia consumido óxido nitroso e tentava fugir da polícia.
Na quinta-feira, os seus familiares apelaram nomeadamente ao governo para reservar a venda e compra de óxido nitroso “apenas a profissionais autorizados por decreto, mediante apresentação de documentos comprovativos, por revendedores especializados”, segundo um comunicado do advogado dos pais, Me Antoine Régley.
Gérald Darmanin também se declarou a favor da proibição do consumo de óxido nitroso durante a condução e da apreensão do veículo em caso de descoberta desta substância no habitáculo.
“E espero que seja uma circunstância agravante quando houver acidentes e quando houver homicídios involuntários”, continuou o ministro, em referência à lei que cria o crime de homicídio rodoviário promulgada em Julho.
De acordo com um inquérito Ipsos da Fundação Vinci Autoroutes publicado em outubro (com 2.256 pessoas), um em cada dez jovens com menos de 35 anos já consumiu óxido nitroso à noite, e metade deles já o fez enquanto conduzia.