Quando apareceu em Paris, em abril de 2018, para comprar as revistas francesas da Lagardère – incluindo Ela – e o semanal Marianaquase ninguém ouviu falar de Daniel Kretinsky. O checo pode ser o quinto homem mais rico do seu país, mas os seus sucessos no sector imobiliário em Praga e na energia na Europa Central não ultrapassaram fronteiras. Quase oito anos depois, mesmo antes de ele revelar sua planejada oferta de aquisição da Fnac Darty em 26 de janeiro, poucas pessoas não sabem seu nome.

Aos 50 anos, o advogado tornou-se um empresário de referência em França, tecendo gradualmente a sua teia através de aquisições, primeiro nos meios de comunicação (Ela, Mariana, a criação da revista Franco-Stireur e o canal de televisão T18), para iniciar a sua influência, depois na energia (GazelEnergie, prestes a ser adquirida pela TotalEnergies), na distribuição (Casino, Monoprix, Fnac Darty) e na edição (Editis). Setores onde o checo já tinha investido no seu país. O volume de negócios acumulado dos activos franceses detidos maioritariamente pelo bilionário checo é de cerca de 20 mil milhões de euros. Eles empregam cerca de 45.000 pessoas.

A isto somam-se duas participações financeiras: uma na TF1, com 5,1% dos direitos de voto; o outro na Quadient (anteriormente Neopost), empresa de serviços postais (22%). Na comunicação social, se não for dono, o empresário também financia o jornal diário Liberar. No início de janeiro concedeu-lhe um novo empréstimo, o quarto em quatro anos, no valor de cerca de 15 milhões de euros, elevando o seu apoio financeiro total para 59 milhões de euros. O jornal terá de começar a reembolsá-lo em 2027, um ano depois do inicialmente previsto. Tempo indireto do acionista Mundoo bilionário checo vendeu as suas ações a Xavier Niel em setembro de 2023.

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Daniel Kretinsky conseguiu adquirir esta galáxia hexagonal graças aos lucros significativos gerados pelas suas centrais eléctricas a carvão na Europa Central, adquiridas a preços baixos no início da década de 2010, quando as empresas energéticas alemãs procuravam abandonar esta profissão, que é desaprovada porque gera demasiados gases com efeito de estufa. Também beneficia enormemente da participação de 49% no capital do gasoduto eslovaco Eustream, adquirido no início de 2013 à francesa GDF e à alemã E.ON. Isto transporta gás russo para a Europa Ocidental.

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